Grupo cria a Ablos, associação que vai reunir pequenas lojas de shoppings

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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Um grupo formado por empresários de lojas de menor porte localizadas em shoppings acaba de criar a Associação Brasileira de Lojas Satélites (Ablos). A nova entidade, que reúne as chamadas lojas-satélite (em contraposição às de maior porte, também conhecidas como âncoras), com cerca de 180 metros quadrados de área de vendas, nasceu há cerca de 20 dias, a partir de uma cisão da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop).
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Uma das demandas da Ablos é buscar uma relação mais equilibrada nas negociações dos aluguéis de espaço entre as satélites e os donos de shoppings, normalmente grandes companhias. Pelo fato de serem empresas menores, elas não têm o mesmo poder de fogo das âncoras. Hoje, segundo Tito Bessa Júnior, presidente da Ablos da rede TNG, de vestuário, enquanto as âncoras pagam de 3% e 5% sobre o faturamento aos shoppings, as satélites desembolsam o equivalente entre 10% e 12%, podendo chegar a 20%. Ele afirma que o custo de ocupação das lojas satélites envolve aluguel, condomínio e fundo de promoção. Mas, no caso das âncoras, elas pagam apenas o aluguel.
“Até então existia uma associação que se chama Alshop, que diz representar os lojistas. Mas, na verdade, mais representa os shoppings”, disse Bessa ao jornal O Estado de S. Paulo. A nova associação nasce reunindo 70 marcas, entre elas, além da TNG, Jogê Meias (moda íntima), Side Walk (calçados), Gregory, MOB, Khelf (moda), Óticas Carol e Vivara (joias). A expectativa é que a adesão dos lojista à nova entidade cresça e atinja cerca de 300 marcas, o equivalente a 20 mil pontos de venda espalhados pelo país.
Nabil Sahyoun, presidente da Alshop, nega a falta de representatividade. Ele diz ter interlocução com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e que esteve três vezes como presidente da República, Jair Bolsonaro. Sua principal credencial, segundo ele, são os 40 mil pontos de vendas filiados à entidade, que existe há 24 anos. Quanto às negociações com os empreendedores de shoppings, Sahyoun diz que a postura é de parceria. Na crise, ele afirma que os shoppings foram flexíveis, prorrogaram prazos e deram descontos na locação.
Luiz Alberto Marinho, sócio-diretor da GS&Malls e consultor especializado em shoppings, disse ao Estado que se o custo de ocupação de uma loja for maior do que 10% da sua receita de vendas, a operação tende a não ser lucrativa. “Se passar de 15%, é proibitiva. Nenhum lojista satélite deveria pagar mais do que 15% do que vende com custo total de ocupação.”
Bessa compara a relação desigual entre as lojas âncoras e satélites nos shoppings a um prédio de apartamentos no qual quem mora na cobertura (loja âncora) não paga condomínio e o restante do prédio (satélites) arca com essa despesa. “Essa fórmula penaliza o pequeno varejista para subsidiar o grande”, diz. “É concorrência desleal.”
A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), que reúne os empreendedores de shoppings, informou, em nota, que “as condições de locações são definidas por cada empreendimento e não pelo setor, como previsto no artigo 54 da Lei de Locações (Lei nº 8.245, de 1991)”.

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