Cinco Perguntas: Amure Pinho, presidente da Associação Brasileira de Startups

Amure Pinho, presidente da Abstartups (Foto: divulgação)

Hoje, a onipresença das startups no país é tão grande que parece que elas sempre fizeram parte do cenário empresarial brasileiro, mas sua disseminação em larga escala só começou de fato nesta década. O crescimento desse mercado tem sido captado – e alimentado – pela Associação Brasileira de Startups (Abstartups), que nasceu em 2011 e neste ano pretende levantar informações de 15 mil startups com o Startup Base, um censo que, ao atingir essa meta, deve cobrir praticamente todo o ecossistema desse segmento.
Amure Pinho é o presidente a Abstartups. A seguir, na seção Cinco Perguntas, ele fala um pouco sobre os desafios de comandar uma entidade que representa um setor tão dinâmico quanto volátil – afinal, a taxa de mortalidade das startups é alta.
ASSOCIAÇÕES HOJE: Atualmente, apenas uma em cada quatro startups brasileiras consegue superar a marca de cinco anos de vida. De que forma essa alta taxa de mortalidade se reflete na manutenção das startups como integrantes da entidade? A rotatividade é muito alta?
AMURE PINHO: Nós monitoramos as mortes de startups dentro da nossa base, mas nosso objetivo é sempre tentar ajudá-las a não chegar a esse ponto. Nosso programa de mentorias, por exemplo, serve para que o empreendedor converse frequentemente com pessoas experientes do ecossistema e entenda o que fazer (e não fazer) para não entrar nessa estatística. Se necessário, ele faz o que chamamos de “pivotar” (alterar seu modelo de negócio quando enxerga que o atual não está dando certo). Já tivemos alguns casos desses aqui e foi muito bacana. Encerramos o ano passado com cerca de 1.100 startups associadas e fizemos um monitoramento dentro de um plano específico, que tinha 339 startups, e registramos 21 mortes entre janeiro e dezembro (6%).
LEIA TAMBÉM:
Entidades de classe e governo vão debater iniciativas para a indústria 4.0

Associações criam código de ética e melhores práticas para fintechs brasileiras

AH: Qual a principal demanda das empresas quando elas se associam à Abstartups? O que elas buscam quando decidem se integrar à entidade?
AP: As demandas são diversas, já que cada startup, em seu momento de vida, tem dores e desafios diferentes. Os principais motivos pelos quais as startups se associam com a Abstartups são busca por investimento; por capacitação e mentoria; por conexões com outras startups ou empresas para começar ou acelerar suas vendas; por visibilidade de sua startup; ou para utilizar o portal de descontos em ferramentas da Abstartups.
AH: Existe uma política de retenção de associados? Como ela funciona?
AP: Sim. A Abstartups tem uma série de benefícios para oferecer aos seus associados e uma equipe de Customer Success focada exclusivamente em retenção. Ou seja, essas pessoas são responsáveis por conversar com as startups associadas, entender suas dores e desafios e oferecer esses benefícios de maneira mais assertiva para cada uma. Dessa maneira, geram valor para os empreendedores, ajudando-os no seu crescimento e os retendo como associados.
AH: Startups geralmente nascem com estrutura mínima, tanto de pessoas quanto de recursos. Em que momento elas incluem o investimento na adesão à Abstartups em seus cronogramas financeiros?
AP: Essa questão é bem relativa. Algumas enxergam como prioridade estar associada à Abstartups desde o primeiro dia de sua vida, pois veem uma importância em fazer parte de uma rede de conexões nacional e que pode lhe gerar oportunidades. Outras analisam mais seu momento financeiro e esperam a hora certa de incluir esse gasto no orçamento. Normalmente, essas empresas passam um período desenvolvendo o produto e validando ideias até chegar ao seu MVP (“Minimal Viable Product”, ou “Produto Viável Mínimo”, a versão mais simples de um produto que pode ser lançada com uma quantidade mínima de esforço e desenvolvimento). A partir desse momento, com o protótipo pronto para rodar no mercado, acreditam que seja o momento de começar a fazer parte da rede da Abstartups para dar visibilidade ao seu negócio.
AH: Em parceria com o Google, a Abstartups está trabalhando no mapeamento do universo de startups brasileiro. O que mais surpreendeu a entidade no trabalho realizado até aqui?
AP: Desde que iniciamos o projeto de mapear as comunidades de startups em todo Brasil, o que surpreendeu foi ver o impacto real e a repercussão desse trabalho dentro das próprias comunidades. Sabemos que a visibilidade de uma comunidade representa relevância. E quanto mais informações sobre as startups de uma região, mais fácil é para identificar os agentes de fomento, listar as necessidades e destacar os pontos fortes. Um bom exemplo do que estou falando é a comunidade de Caxias do Sul (RS). Quando o primeiro resultado do mapeamento foi lançado, em outubro de 2018, tínhamos mapeadas 18 startups, a maioria com até um ano de fundação. Hoje, o número de Caxias já é outro: são 48 startups mapeadas.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta