Associações de criptomoedas unem-se em trabalho de mapeamento do setor

A Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto) e a Associação Brasileira de Criptoativos e Blockchain (ABCB), as duas entidades que representam o segmento de criptomoedas no Brasil, decidiram unir esforços para um trabalho de mapeamento do setor no país. Com a pesquisa, as duas associações pretendem fortalecer o argumento pela criação de uma Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE) própria e também facilitar a comunicação com órgãos do governo.
A iniciativa vai levantar informações como o números de pessoas empregadas no segmento, o regime societário escolhido pelas companhias envolvidas com a indústria e se as empresas de criptomoedas têm contratos com empregados ou com pessoas jurídicas prestadoras de serviço. As duas associações fecharam parceria com a empresa de auditoria e consultoria Grant Thornton para o mapeamento.
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Ao Portal do Bitcoin, Fernando Furlan, presidente da ABCB e ex-presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), contou que as empresas de criptomoedas terão 45 dias para preencher um questionário com informações de seus negócios. Esse relatório vai ajudar o setor a estabelecer melhor comunicação com os órgãos reguladores.
Natália Garcia, vice-presidente da ABCripto, afirma que as associações têm encontrado dificuldade para dialogar com alguns órgãos para defender os seus pleitos. “Como queremos dialogar com a Receita Federal, com o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), o Bacen (Banco Central), a gente precisa de dados”, disse ela.
A partir do mapeamento, o mercado saberá com mais precisão o número de empresas do setor, quanto elas faturam, quantas pessoas empregam, quantos são os empregos diretos e indiretos, seu regime tributário e se adotam medidas de combate à lavagem de dinheiro. Com esses dados será mais fácil de o segmento conseguir uma CNAE própria.
Furlan, da ABCB, conta que a entidade havia tentado conseguir uma Classificação Nacional de Atividade Econômica para as empresas que trabalham com criptomoedas, “mas o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) pede mais informações do setor”. A falta de CNAE específica foi um dos argumentos usados pelos bancos no inquérito administrativo que tramita no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e deve se encerrar no dia 18 de maio. Os bancos encerraram contas de empresas do segmento usando essa como uma das justificativas.

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