Apenas 37% das vagas em TI no Brasil são ocupadas por mulheres, diz associação

Apenas 37% das 845 mil vagas de trabalho na área de tecnologia da informação e comunicação existentes no Brasil são ocupadas por mulheres, segundo levantamento feito pela Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). A proporção contrasta com a da população brasileira, que é formada por 51% de mulheres e 49% de homens. A diferença vem se mantendo nos últimos quatro anos.
Na distribuição por função, as diferenças são perceptíveis. Nas atividades administrativas de atendimento e de recursos humanos, as mulheres representam 65% e os homens, 35%. Também nas finanças elas são maioria (57,2% a 42,8%). Já nas funções técnicas, a proporção se inverte, com 76% das vagas ocupadas por homens e 24% por mulheres. Nas posições de diretoria e gerência, a disparidade também aparece (65% contra 35%).
LEIA TAMBÉM:
– Brasscom: Tecnologia da informação e comunicação cresce 2,5% no país em 2018
– Investimentos em TI devem passar de R$ 200 bi no Brasil em 2019, diz associação
– Cada ciberataque gera, em média, perda de US$ 7,2 milhões a empresas brasileiras
Na distribuição por cor e raça, 57,7% são brancos, 26% são pardos, 11,2% não declararam cor e raça, 3,8% são pretos, 1,1% são asiáticos e 0,1, indígenas. Na evolução dos últimos quatro anos, a proporção de pretos, pardos e indígenas se manteve praticamente estável, saindo de 29% para 30%.
A linguista com atuação na área de tecnologia Glória Celeste aponta, entre os motivos da desigualdade de gênero, os obstáculos que as mulheres que atuam nessas áreas vivenciam ao longo de sua trajetória de vida. Ela se graduou técnica em eletrônica no então Centro de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro (Cefet-RJ) e entrou no curso de física da Universidade Federal do estado (UFRJ), mas decidiu não continuar no curso em razão de práticas machistas.
“Ouvi em sala de aula de um professor: ‘Nem adianta mulher se candidatar para bolsista minha porque engravida, e aí já viu’. Que pessoa vai prosseguir numa carreira ouvindo isso no primeiro semestre?”, indaga ela, segundo registro da Agência Brasil. O tratamento diferenciado, acrescenta Celeste, aparece também nas soluções de emprego. “Por que, em uma seleção, um homem pode falar que tem quatro filhos e uma mulher, se disser que tem um, o responsável pergunta como a ela vai fazer com filho doente?”
O setor de tecnologia da informação e comunicação empregava 845 mil pessoas em 2018. Mas, nos próximos anos, o déficit de trabalhadores deve chegar a 162 mil vagas. A expectativa da Brasscom é que o segmento demande 420 mil vagas entre 2018 e 2024. A projeção, no entanto, é que as instituições de ensino superior formem 258 mil pessoas nessas carreiras até 2014 (46 mil por ano).

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta