As lições de reinvenção da Associação de Correspondentes da Casa Branca

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O jantar anual organizado pela Associação dos Correspondentes da Casa Branca (WHCA, na sigla em inglês) é uma tradição não apenas da imprensa, mas também da política americana. O evento deste ano, realizado no início deste mês de maio, trouxe novidades em relação a edições anteriores – e isso pode servir como inspiração para entidades e organizações de outros setores, incluindo as brasileiras.
A WHCA organizou um evento que retornou às suas origens: o jantar celebrou os jornalistas e seu trabalho e também a Primeira Emenda, que versa sobre a liberdade de expressão, um dos pilares da democracia americana. Neste ano, a Associação reduziu as pitadas de humor provocativo e a presença de celebridades que fizeram a fama do jantar, uma decisão que foi celebrada tanto por associados quanto por críticos.
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A seguir, duas das transformações mais importantes, segundo registro do site Associations Now.
1. O foco na missão é sempre mais importante que brilho e glamour
Muitos membros da WHCA criticaram edições anteriores do jantar, que vinha, segundo eles, dando mais atenção às celebridades que compareciam ao evento do que aos jornalistas e à liberdade de imprensa, que são o coração da entidade.
“O evento deste ano, com o tema ‘Celebrando a Primeira Emenda’, teve uma agenda um pouco redefinida”, escreveu no site da revista Forbes o participante Dean Blake D. Morant, da Faculdade de Direito da Universidade George Washington. “A alegria habitual do evento estava lá, mas, dada a crítica mordaz, implacável e prejudicial à indústria feita pelo presidente da República, o programa construiu uma forte defesa da imprensa livre e robusta em uma democracia verdadeira.”
Ao que parece, o presidente da WHCA, Olivier Knox, atingiu seu objetivo. “Quando assumi a função, no início de 2016, contei às pessoas que achava que o jantar precisava se reinventar para ser mais sério, colocar o foco de volta no jornalismo e no trabalho de cobrir uma presidência”, disse ele ao site The Hill.
2. Você não precisa do mesmo tipo de palestrante todo ano
Desde sua primeira edição, em 1944, quase sempre o jantar teve um comediante como apresentador principal. Naquele primeiro ano, o nome escolhido foi o do comediante Bob Hope e, desde então, a lista de anfitriões incluiu figuras do humor como George Carlin, Wanda Sykes e Seth Meyers.
Neste ano, a WHCA tomou um rumo diferente, entregando as rédeas ao historiador Ron Chernow. Ganhador do Prêmio Pulitzer, Chernow é autor de uma biografia detalhada sobre Alexander Hamilton, um dos chamados “pais fundadores” dos Estados Unidos. O livro serviu de base para a produção de musical de enorme sucesso levado à Broadway pelo ator, roteirista e compositor Lin-Manuel Miranda.
De acordo com o jornal The Washington Post, Chernow foi divertido à sua maneira – “engraçado para um historiador, para todos os efeitos” – e, em seu discurso, contou piadas sobre as relações variadas dos presidentes com a imprensa. Ele também insistiu na mensagem de que os jornalistas da plateia precisam seguir comprometidos com o ofício, apesar das crescentes críticas que podem enfrentar do atual governo.
“Este é um momento tão bom quanto qualquer outro para se fazer um balanço e insistir nos mais altos padrões de precisão e integridade”, disse ele em seus comentários. “Então, seja humilde, seja cético e tenha cuidado com a possibilidade de ser infectado por algumas das coisas contra as quais você está lutando. A imprensa é uma arma poderosa, que sempre deve ser acionada com cuidado e apontada com precisão.”
“A WHCA mostrou a outras associações que não se pode ter medo de romper com o que sempre se fez”, escreve Samantha Whitehorne, diretora editorial do Associations Now, “especialmente se você tiver associados pedindo uma mudança ou se sua indústria estiver lidando com mais críticas.”

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