O que associações de veículos de imprensa dizem sobre abusos nas redes sociais

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Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Enquanto alguns países começam a aprovar leis para coibir abusos nas redes sociais, no Brasil a Constituição, se cumprida, já é suficiente para “começar a colocar ordem nas coisas”. A avaliação foi feita pelo presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Marcelo Rech, durante a 13ª Conferência Legislativa sobre Liberdade de Expressão. O encontro foi realizado na última terça-feira 21/5) na Câmara dos Deputados.
Presentes no evento, os dirigentes de entidades que reúnem veículos de comunicação de diversas plataformas destacaram a importância do jornalismo profissional e independente para combater a desinformação que se espalha nos aplicativos de mensagens e redes sociais, segundo registro do jornal O Globo. Reconheceram que os jornalistas também podem cometer erros, mas, quando isso ocorre, têm o compromisso de assumi-los e corrigi-los. E também refutaram a censura.
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“Em alguns países, começam a surgir legislações restritivas às redes sociais. Em países democráticos, com democracia madura, como a Alemanha, há uma legislação que multa em € 50 milhões as redes sociais que não retirarem em determinado número de horas informações ligadas a ódio racial. A Austrália recentemente também implementou uma legislação bastante restritiva, seguramente a partir do episódio do sujeito que invadiu a mesquita atirando e transmitiu ao vivo por 17 minutos no Facebook. Um absurdo, inacreditável que isso tenha acontecido. A Austrália acabou de aprovar. O Reino Unido está discutindo a sua”, disse Rech, concluindo:
“No Brasil, eu tenho a posição de que bastaria cumprir a Constituição para começar a colocar ordem nas coisas. A Constituição diz o seguinte: ‘É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato.’ Se fosse cumprida a Constituição de modo que o anonimato, que significa robôs, trolls, toda essa quantidade enorme de instrumentalização, industrialização do ódio e do rancor, estivesse dentro do regramento, boa parte dos problemas que vemos nas redes sociais já seriam eliminadas.”
O presidente da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV (Abert), Paulo Tonet Camargo, rechaçou qualquer controle do Estado no sentido de definir o que a sociedade deve saber.
“Tenho repetido que nenhum Estado nem ninguém tem o poder de dizer o que a sociedade deve ou não saber. A sociedade deve saber de tudo e fazer seu juízo”, afirmou Tonet, que também criticou a atuação de empresas de tecnologia na distribuição de conteúdos:
“A existente assimetria regulatória tem sido muito prejudicial a todos os nossos setores, pois empresas que se dizem de tecnologia distribuem informação e entretenimento, vendendo espaço publicitário, onde ‘likes’ e compartilhamento despontam, ou seja, a boa e velha audiência. Contudo, não se importam se essa rentabilização bilionária seja fruto de interação com conteúdos nocivos, como mentiras notórias, ideias conspiratórias, ideologias extremistas, a exemplo de campanhas antivacinação e transmissão de massacre de pessoas em tempo real. É desta responsabilidade que estamos falando.”
O presidente da Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner), Fábio Gallo, lamentou que a intolerância no mundo digital tenha sido transposta para o mundo real.
“Algoritmos empurram as pessoas a permanecerem no diálogo apenas com quem pensa como elas, uma barreira ao pluralismo, um fomento ao sectarismo. Está evidente para todos nós que a intolerância que vemos no meio digital se espalha rapidamente e é sentido não apenas nas autocracias, mas também nas democracias. O resultado é um assustador elo entre o virtual e o real, sustentando pelo uso de ferramentas das redes sociais, como grupos e transmissões ao vivo”, disse Gallo.

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