Por que as associações precisam começar a falar sobre o desmatamento no país

Foto: Agência Brasil

Se ainda havia alguma dúvida sobre a necessidade de as associações colocarem o desmatamento de vez em sua agenda de debates, ela foi mais uma vez sanada por um levantamento divulgado recentemente pelo empresa de pesquisas Ipsos: segundo a sondagem, o desmatamento lidera entre as preocupações demonstradas pelos brasileiros com relação ao meio ambiente.
Realizada entre os dias 22 de fevereiro e 8 de março deste ano, a pesquisa Earth Day 2019 foi feita em 28 países, com 19,5 mil entrevistados, sendo mil brasileiros. O desmatamento foi considerado o tema mais importante por 53% dos consultados no Brasil. No mundo, o tema prioritário é o aquecimento global, com 37% das respostas.
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“O aquecimento global é também um dos temas importantes no Brasil, mas o que chama mais atenção é o desmatamento, que é muito mais mencionado no Brasil do que na média global”, disse à Agência Brasil a diretora de Negócios na Ipsos, Karen Klas.
Segundo ela, a resposta dos brasileiros foi uma combinação da quantidade de reservas naturais do país, da visibilidade que a Amazônia tem nesse sentido e, também, das discussões em relação às políticas adotadas pelo governo. Na Rússia, que tem áreas maiores de florestas que o Brasil, apenas 20% dos entrevistados veem o tema do desmatamento como prioridade.
Em segundo lugar, no Brasil, aparece a poluição da água (44%), seguida de como lidar com os resíduos produzidos (36%), aquecimento global (29%) e esgotamento de recursos naturais (23%). O problema das enchentes foi mencionado por 18% dos entrevistados – a proporção, de dois em cada dez brasileiros, é duz vezes maior que a média global, de 9% para esse item.
No resto do mundo, os temas apontados como os mais preocupantes na questão ambiental foram poluição do ar (35%), como lidar com o lixo que produzimos (34%), poluição da água (25%). O desmatamento só aparece em quinto lugar no ranking global da Ipsos, com 24%.
Poluição e lixo
Karen Klas destacou que a poluição da água é um tema que está muito próximo da quantidade de lixo gerada pela população. Os resíduos não reciclados preocupam também os brasileiros. Nove em cada dez entrevistados no país, ou 89%, estão preocupados ou muito preocupados com os efeitos que embalagens plásticas, como sacos e outros objetos que não podem ser reciclados, provocam no meio ambiente.
“Há um potencial bastante alto dos brasileiros preocupado com isso”, disse. Os muito preocupados chegam a 60%. Em termos globais, 81% dos consultados estão preocupados com o tema.
Em contrapartida, nem todos estão dispostos a atuar para corrigir esse problema. Quando perguntados de quem seria a responsabilidade pelo problema das embalagens plásticas, a maior menção é que todos têm responsabilidade (40%). Em seguida, vêm os fabricantes, isto é, a indústria, com 19%, e o governo, com 15%.
“Mas quando a gente perguntava o que você, pessoalmente, estaria disposto a fazer, não necessariamente o brasileiro está tão em linha com a média global. Por exemplo, comprar produtos de materiais reciclados, a gente está um pouco mais disposto que o restante do mundo. Mas quando a gente fala de reutilizar materiais que são descartáveis, entre os 28 países listados, o Brasil está em 14º lugar. Então, não é uma prioridade tão grande quando a gente fala de mudanças pessoais de comportamento”.
Apenas 12% dos brasileiros investiriam recursos próprios para estimular marcas que usam embalagens recicláveis e só 11% estariam dispostos a pagar mais impostos para a melhoria de estações de reciclagem, destacou Karen.
Para 48% dos brasileiros, a principal forma de reduzir os impactos é forçar o governo local a gastar mais com reciclagem para que mais itens possam passar por esse tratamento. A média global foi 46%. No Brasil, os entrevistados acreditam mais nas campanhas de conscientização pública (40%) do que o restante do mundo (27%).
Preocupação geral
A pesquisa não traçou um ranking de preocupação geral. Entretanto, revela que a preocupação varia de país a país, de acordo com o tema apresentado. Enquanto no Brasil o tema principal é o desmatamento, o Japão lidera em termos de aquecimento global, com 52% das respostas. Na poluição do ar, a Coreia do Sul se mostra mais preocupada, com 70%; a média internacional foi de 35%.
Nas perguntas relacionadas ao uso de fontes alternativas de energia no futuro, o Japão volta a liderar, com 47%, versus média global de 22%. Neste caso, o Brasil está entre os países que menos mencionam as energias renováveis entre as suas preocupações, com somente 8% das respostas.
A ideia da Ipsos é fazer esse tipo de pesquisa uma vez por ano, no mesmo período. Com isso, a empresa pretende entender melhor o andamento do tema da sustentabilidade.

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