O que associações do setor dizem sobre o Plano Nacional de Internet das Coisas

O governo federal publicou nesta quarta-feira (26/6) o Plano Nacional de Internet das Coisas. O Decreto com o plano (nº 9854 de 2019) traz uma série de objetivos para o fomento a esse tipo de tecnologia no país, aponta áreas prioritárias e cria um órgão consultivo formado por diversos ministérios para avaliar a sua implementação e recomendar ações, segundo informa a Agência Brasil.
O Decreto inclui a criação de um órgão consultivo batizado de Câmara de Gestão e Acompanhamento do Desenvolvimento de Sistemas de Comunicação Máquina a Máquina e Internet das Coisas. O colegiado será formado pelo  Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e por outros ministérios, como o da Economia, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, da Saúde e do Desenvolvimento Regional.
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Para Flávio Maeda, presidente da Associação Brasileira de Internet das Coisas (Abinc), é importante que o Plano aborde os temas de prioridade: saúde, agronegócio, cidades inteligentes e indústria. “Esses pontos têm demandas que podem ser direcionadas pelo governo para alavancar projetos de IoT, como infraestrutura para cidades inteligentes, que dependem fortemente do poder público; e da saúde, do qual o Sistema Único de Saúde do governo é grande comprador”, afirma ele. “Se essas iniciativas do plano forem colocadas em prática, gera expectativa do mercado de ter demanda maior, orientada e planejada para alavancar o ecossistema de IoT dos fornecedores.” Mas ele tem cautela: “Porque plano e decreto são as partes mais fáceis, a execução do plano é que é o ponto-chave”.
O coordenador do Comitê de IoT da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES), Werter Padilha, participou da elaboração do estudo da Mckinsey encomendado pelo MCTIC e pelo BNDES que fomentou o Plano, além de ser representante da entidade na Câmara IoT anterior. Para ele, a nova Câmara foi um “upgrade” em cima da que já existia, já que a presença de outros ministérios além do MCTIC já era realidade. “No decreto foi oficializado isso, e agora se tornou multiministerial”, destaca. Ele também chama atenção para a composição alinhada com os temas prioritários, o que deve estabelecer a atuação do Plano em cada área.
Padilha diz que, em conversas com membros da associação, há um clima positivo de que o projeto “finalmente nasceu”, após idas e vindas da minuta do decreto na Casa Civil ainda no governo Michel Temer. “O decreto nada mais é que a certidão de nascimento da criança”, afirma. “Sempre vai ter coisa a ser corrigida, a ser amadurecida. Que lei não tem?”, completa. “Saiu, agora vamos arrumar o que tiver de ser arrumado. O importante é que saiu. É uma batalha de cada vez.”

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