O que associações de setores exportadores dizem sobre o acordo UE-Mercosul

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Os países do Mercosul e da União Europeia formarão uma das maiores áreas de livre comércio do planeta a partir do acordo anunciado na última sexta-feira (28/6), em Bruxelas, na Bélgica. Juntos, os dois blocos representam cerca de 25% da economia mundial e um mercado de 780 milhões de pessoas, como registra a Agência Brasil.
Quando se considera o número de países envolvidos e a extensão territorial, o acordo só perde para o Tratado Continental Africano de Livre Comércio, que envolve 44 países da África e foi assinado em março deste ano. Mesmo assim, União Europeia e Mercosul fecharam o maior acordo entre blocos econômicos da história, o que deve impulsionar fortemente o comércio entre os dois continentes.
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As associações que representam alguns dos principais setores exportadores da economia brasileira manifestaram-se sobre o acordo, negociado ao longo das últimas duas décadas. Veja o que algumas dessas entidades disseram sobre o tema:
Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
“O volume acordado é expressivo, suficiente para que o Brasil mantenha sua posição como parceiro em prol da segurança alimentar europeia”, afirmou em nota o diretor-executivo da ABPA, Ricardo Santin, que acompanhou as negociações para o tratado em comitiva do Ministério da Agricultura em Bruxelas.
Com o acordo UE-Mercosul, a ABPA citou cota total de exportações de carne de frango de 180 mil toneladas no ciclo de 12 meses, que devem se somar a outras que superam 340 mil toneladas, com tarifas intracota e extracota, para o Brasil.
Associação Brasileira de Café Solúvel (Abics)
A entidade avaliou como “extraordinário” para o setor o acordo entre UE e Mercosul, que deve permitir que o país exporte 35% a mais para os europeus em cinco anos, segundo o diretor de Relações Institucionais da entidade, Aguinaldo José de Lima.
Apesar de uma tarifa de 9%, a União Europeia é o segundo principal destino do café solúvel brasileiro, o que indica que o país já tem uma base importante para avançar mais no mercado europeu após o acordo com o Mercosul, acrescentou Lima em entrevista à agência Reuters. O diretor da Abics explicou que a tarifa cairá 25% ao ano, segundo o acerto, sendo zerada ao quinto ano após a implementação do pacto.
Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR)
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia deve principalmente melhorar a competitividade do suco de laranja brasileiro, que hoje possui tarifas pesadas, afirmou a CitrusBR, indicando que a taxa será zerada no futuro.
“O acordo (…) abre espaço para que as empresas adotem diferentes estratégias levando em consideração a nova realidade tarifária”, afirmou, em nota, o diretor-executivo da entidade, Ibiapaba Netto. “Fica mais competitivo, deixa de ter um pedágio importante, 300 euros por tonelada em alguns casos. Para o importador fica mais barato…”, afirmou o dirigente, evitando fazer estimativas sobre volumes potenciais no longo prazo.
União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica)
Para a Unica, o acordo comercial não foi ambicioso o suficiente, embora tenha sido o “melhor possível”. O tratado poderia ir além por conta da demanda europeia por açúcar e pelo grande consumo de biocombustíveis no bloco, acrescentou a associação.
Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove)
No setor de soja, principal produto de exportação do Brasil, o acordo não tem influência. A UE já é o principal mercado para o farelo de soja do Brasil, uma vez que a tarifa é zero. “Então não tem benefício direto do acordo. O benefício virá do crescimento de exportações de carnes. Mas a conclusão do acordo foi um grande feito, muito importante no sentido de tornar a economia brasileira mais aberta”, avaliou o presidente-executivo da Abiove, André Nassar.
Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas (Abrafrutas)
A Abrafrutas acredita em redução dos custos da atividade após o acordo. A União Europeia responde por 60% da receita com os embarques da fruticultura brasileira para o exterior, que chega a US$$ 800 milhões.
Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé)
Para o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé), o acordo deve reforçar a presença da marca Brasil no bloco, que é o segundo maior consumidor global da bebida, atrás apenas dos Estados Unidos. A indústria de café solúvel, que hoje paga uma taxa de 9% para entrar no bloco, prevê ganho de mercado no bloco à medida que a tarifa for sendo reduzida, até chegar a zero em cinco anos.
Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac)
O Ibrac comemorou o compromisso da União Europeia com o reconhecimento e proteção da Indicação Geográfica da bebida tipicamente brasileira. O que deve resultar em aumento das vendas do destilado, que tem no bloco um de seus principais clientes.

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