Lições que a seleção feminina dos EUA dá às associações sobre igualdade salarial

A seleção americana de futebol na partida contra a Inglaterra, na qual conquistou vaga na decisão da Copa do Mundo (Foto: Getty Images)

A seleção feminina de futebol dos Estados Unidos conquistou nesta terça-feira uma vaga na final da Copa do Mundo que está sendo disputada na França ao derrotar as inglesas por 2 a 1. E, enquanto dão show nos gramados, as atletas também demonstram fibra na batalha por igualdade salarial com a equipe masculina: em março, a equipe processou a Federação de Futebol dos EUA por receber menos do que os homens.
Essa iniciativa pode servir como inspiração sobre como as associações e entidades de classe podem contribuir para equilibrar os salários de homens e mulheres em seus segmentos. Terry O’Neil, diretor executivo da Associação Nacional de Advogados Trabalhistas (NELA, na sigla em inglês), diz que o caso – que, de acordo com o jornal The Wall Street Journal, deve seguir para arbitragem após o mundial – está chamando atenção para a questão.
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“A iniciativa é um estímulo”, disse O’Neil ao site Associations Now. “As mulheres estão atentas. Elas perceberam que há algo que podem fazer. Estou muito agradecido e orgulhoso de a seleção feminina ter entrado com essa ação.”
O’Neil, que já comandou a Organização Nacional para as Mulheres, lembra que a Lei do Pagamento Igualitário (ou “Equal Pay Act”) existe há mais de 50 anos, mas, em todo o país, as mulheres ainda ganham, em média, 80,7% do salário de um homem. A razão para a disparidade, afirma ele, é uma aplicação deficiente da lei.
“Ela é extremamente difícil de aplicar”, disse. “O texto é muito claro. O problema é conseguir que os empregadores sigam o que ele manda. Vários tribunais federais têm sido hostis à sua aplicação. A EEOC [sigla em inglês para a Comissão pela Igualdade na Oportunidade de Empregos], encarregada de sua aplicação, infelizmente sofre com a falta de recursos.”
Enquanto a NELA se concentra na fiscalização, O’Neil diz que há métodos adicionais para ajudar a melhorar a igualdade salarial. Primeiro, é necessário trabalhar na cultura corporativa. E isso vale tanto para as associações americanas quanto para as brasileiras.
“O que realmente precisamos é mudar a estrutura das lideranças do universo corporativo”, avalia. “Se você tem mais mulheres nos conselhos de administração e no chamado “c-level” – os cargos dos principais executivos, como o CEO -, se você tivesse mais mulheres, mais mulheres e homens negros, esses problemas salariais tenderiam a ser muito menores.”
Além de aumentar a diversidade na gestão, O’Neil acredita que as associações podem ajudar a mudar os segmentos que elas representam incentivando os membros a adotar a filosofia por trás da lei e a cumpri-la.
“O que as associações podem fazer é espalhar a mensagem: ‘esta é a lei, é assim que funciona, é o que temos que fazer'”, disse O’Neil. “As associações podem educar maciçamente seus membros sobre o que diz a lei e qual o caminho para fazê-la ser cumprida.”
A legislação brasileira também garante a igualdade salarial entre homens e mulheres na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) – e a regra vale desde 1943. No texto, a determinação de que salários devem ser iguais “sem distinção de sexo” aparece em pelo menos quatro artigos: no 5º, no 46, no 373-A e no 461.

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