Em evento de associações do setor, agronegócio vê sua comunicação falha

O agronegócio é um dos motores da economia brasileira e um dos segmentos mais inovadores do país, mas esses pontos positivos ainda não são amplamente percebidos pela população – e isso tem relação direta com falhas da comunicação do setor. O diagnóstico foi um dos temas debatidos durante o 3º Fórum Internacional Inovação para Sustentabilidade na Agricultura, realizado na última semana por Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) e CropLife Latin America, como apoio de Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Associação Brasileira dos Produtores Algodão (Abrapa) e Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho).
LEIA TAMBÉM:
– Aberje e Abag formam parceria para discutir a comunicação do agronegócio
– Associações unem-se e criam plataforma para combater fake news no agronegócio
– Por que sua associação tem que dar mais peso ao email na comunicação digital
“Precisamos mostrar ao mundo que aqui se tem a maior agricultura em tamanho, mas também em responsabilidade. Precisamos derrubar o discurso meramente ideológico que desinforma as pessoas sobre os nossos alimentos”, disse Marcos Montes Cordeiro, secretário executivo do Ministério da Agricultura. O representante da pasta no evento fazia referência ao imbróglio envolvendo a liberação de novos defensivos agrícolas no país. “Um dos maiores empecilhos às exportações brasileiras é esta imagem que insistem em fazer de nós lá fora. São teorias ideológicas de quem não quer o Brasil competitivo.”
Caio Carbonari, professor da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) no Campus Botucatu, apresentou dados que, na visão dele, atestam que o Brasil não é maior usuário de agroquímicos do mundo, contrariando uma versão bastante disseminada na sociedade. “Trata-se de um tema polêmico, sensível, até porque existe muita desinformação sobre nossa agricultura”, afirmou.
Segundo ele, o plantio direto no país, considerado mais sustentável, é utilizado em 32 milhões de hectares. Além disso, com duas safras por ano, há uma otimização do usos das áreas agricultáveis. “De alguma forma temos falhado, e isso passa pela comunicação”, disse, destacando que de 2013 a 2015, o uso de agroquímicos em território nacional caiu 12,5%. “É uma situação particular do Brasil, considerando que alguns países – como Estados Unidos, China e Índia – aumentaram esse consumo.”
Em sua palestra, Elizabeth Nascimento, professora doutora em Toxicologia da Universidade de São Paulo (USP), também reiterou a mensagem. “Somos ruins em comunicação quanto ao risco à população” em torno do uso de defensivos agrícolas e a concentração segura de cada um deles. “O perigo está relacionado à toxicidade, diferentemente do risco, que é a probabilidade de a substância produzir danos [à saúde humana] sob determinadas condições.”

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta