Cresce uso de insetos como alimento – e, com ele, a associação do setor, a Asbraci

Segundo um relatório divulgado neste ano pela empresa de pesquisas de mercado Meticulous Research, o segmento da alimentação baseada em insetos – tradição em países orientais como a China – tem potencial de movimentar US$ 8 bilhões até 2030, com crescimento anual médio de 24%. Esse avanço fica evidente também no histórico da Associação Brasileira de Criadores de Insetos (Asbraci), que, em apenas quatro anos de existência, já tem mais de 140 produtores cadastrados.
Desde 2003, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) cita os insetos como alternativa para alimentar a população mundial, que deve chegar a quase 10 bilhões de pessoas até 2050. Para a FAO, eles são uma fonte sustentável de proteína para o futuro, já que será necessário equilíbrio entre a demanda alimentar 70% maior e o cuidado com o meio-ambiente, comprometido por práticas atuais da agropecuária.
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Os apontamentos da FAO sustentam a iniciativa de fundação da Asbraci. A entidade tem hoje 143 criadores cadastrados, dos quais 47 produzem insetos para alimentação animal e humana. Segundo a associação, 23% das 12 toneladas mensais produzidas pelas fábricas associadas são destinadas ao consumo humano.
O próprio presidente do grupo, Casé Oliveira, inclui os bichinhos em receitas da marca Bugs Cook. Doce de damasco com grilo, barra de chocolate com larvas e sorvete de pistache com insetos são alguns dos pratos preparados por ele, que garante, segundo registro do jornal O Tempo: “harmonizam com quase tudo”.
Cerca de 2 bilhões de pessoas consomem insetos todos os dias no mundo. No Brasil, segundo o dirigente, o consumo se concentra em dois grupos: povos indígenas e quem tem mais dinheiro. “Comer formiguinha no restaurante do chef Alex Atala, em São Paulo, é caro”, diz.
A Asbaci estima que o quilo de inseto desidratado é vendido entre R$ 250 e R$ 380 no Brasil. Oliveira acredita que o preço vai diminuir naturalmente na medida em que a demanda aumentar. Ele diz que uma marca reconhecida de barrinhas de cereal tem se preparado para fazer testes de mercado com produtos à base de insetos. Para incluí-los na composição de alimentos industrializados, é necessário solicitar autorização à Anvisa – o que não é preciso para produção artesanal.
E para superar preconceitos, uma das apostas dos produtores são as crianças. “Hoje, pirulito é xarope de açúcar, uma coisa calórica e desequilibrada na alimentação. Com o inseto nele, haveria ingestão proteica”, diz Gilberto Schicler, zootecnista e consultor de empresas do segmento de insetos comestíveis.

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