'O Brasil não é campeão em uso de agrotóxicos': o que diz uma entidade do setor

As notícias que falam que o Brasil é campeão mundial em uso de agrotóxicos são frequentes, mas associações ligadas ao setor têm enfatizado que há comparativos internacionais que refutam essa afirmação. É fato, sim, que a liberação de novos defensivos agrícolas bateu recorde neste ano – de janeiro a julho, o Ministério da Agricultura liberou o registro de 262 novos pesticidas, o maior volume para o período em uma década -, mas, segundo as entidades, não é fato que o país seja o que mais use esse tipo de produto no planeta.
A controvérsia voltou a ser debatida nesta segunda-feira (5/8), no Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e pela B3. Mário Von Zuben, diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), citou estudo recente feito pela Unesp de Botucatu, baseado em dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que mostra que o Japão é que seria, de fato, o campeão mundial em uso de pesticidas.
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O estudo compara a proporção entre o dinheiro gasto com defensivos para cada tonelada de alimento produzido. No caso dos japoneses, o desembolso com os agroquímicos é de US$ 95,40 por tonelada de alimento colhido. Nessa base de comparação, o Brasil aparece na 13ª posição, com um gasto de US$ 8,10 por tonelada. “Esses dados jogam por terra a narrativa de que o Brasil é o maior consumidor de defensivos agrícolas do planeta”, disse, segundo registro do Portal DBO, especializado na cobertura da agropecuária.
Zuben também abordou os comentários feitos por quem se opõe ao uso desse tipo de produto de que vários defensivos utilizados no país são proibidos na Europa. Segundo ele, muitos pesticidas não são usados pelo produtor europeu por não serem necessários. O inverno rigoroso, argumenta ele, elimina muitas das pragas que, no clima tropical, se proliferam com facilidade.
“Em relação a esse aspecto, vale lembrar que a Alemanha tem registrados, por exemplo, 21 herbicidas e dez fungicidas utilizados na cultura do trigo, enquanto o Brasil não tem nenhum produto para trigo. Isso não nos autoriza a dizer que a Alemanha está envenenando sua produção”, afirmou. Zuben lembrou ainda que há 26 defensivos para a cultura de oliveira em Portugal e, no Brasil, apenas três, já que aqui o plantio ainda é pequeno.
O dirigente acredita ser correta a atual estratégia do Ministério da Agricultura de acelerar a liberação de defensivos, que tem reduzido a fila de defensivos que esperavam por registro. “Nós temos de ter disponíveis novas e mais modernas moléculas para que a agricultura brasileira não fique defasada em relação aos seus principais competidores. A maioria das moléculas aprovadas é de produtos genéricos. Da lista de 32 novos ingredientes que ainda estão na fila da Anvisa, os Estados Unidos e o Canadá já aprovaram 19, a Argentina, 15, a Europa, 16, e o Japão, 17”, disse.

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