Como uma entidade nos EUA lidou com o envelhecimento da base de associados

Foto: Kirk Heinbuch / OnAllCylinders

Por atuar em um segmento que muitas vezes é associado a pessoas mais velhas, a American Truck Historical Society, que se dedica à preservação, documentação e pesquisa sobre a indústria americana de caminhões, tem enfrentado um problema que não é incomum entre associações e entidades da chamada velha economia: os integrantes da entidade estão, literalmente, morrendo.
“Como muitas organizações do setor, a ATHS tem enfrentado o problema do envelhecimento”, disse Laurence Gration, diretor executivo da entidade, ao site Associations Now. “Em 2017, 132 de nossos associados morreram e, no ano passado, 128.”
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Fundada em 1971 nos Estados Unidos, a ATHS viu-se diante do desafio de renovar sua base de integrantes. Isso é particularmente difícil em uma organização criada para, entre outras missões, reunir proprietários de caminhões clássicos e de grande porte produzidos em meados do século passado. Esses modelos não são populares entre colecionadores mais jovens, o que significa que, ao longo das décadas, a entidade não conseguiu atrair uma nova geração de associados.
Com o impasse, a ATHS começou a reavaliar as bases mais rudimentares de sua existência. Isso incluiu até mesmo fazer a pergunta mais básica de todas: “O que é um caminhão?” A resposta para essa pergunta deu à organização um ponto de partida para ela começar a redirecionar seu foco. “Demos uma ênfase especial ao papel que vans e picapes agora desempenham para atrair pessoas mais jovens, que possam se relacionar melhor com esses veículos.”
Em parte, a estratégia tem fins econômicos. Caminhões para transporte de carga exigem muito tempo e dinheiro para se manterem operacionais. Isso significa que nem todos os colecionadores têm condições de bancar a manutenção de modelos históricos, o que reduz muito a base de potenciais novos associados.
Com isso, no início deste ano, a ATHS criou novas categorias de associados, destinadas a proprietários de vans e picapes vintage. Ao abrir as portas para os proprietários de pequenos caminhões e dando a eles os mesmos benefícios e que os membros da “velha guarda”, a entidade começou sua transição. A estratégia já ajudou a atrair novos associados e a reorientar a entidade para o futuro. “Estamos passando o bastão, por assim dizer, no que nossa organização representa”, diz Gration. “E, ao fazermos isso, estamos encontrando um novo valor naquilo que podemos construir.”
Mais diversidade
Mas o envelhecimento de seus associados não é o único desafio que a entidade tem enfrentado. Para além desse fator, a ATHS também tem perseguido estratégias para reduzir as baixíssimas diversidade e inclusão de sua base de membros – que é, majoritariamente, formada por “homens velhos e brancos”, como define o dirigente. “Acho que menos de 10% de nossos associados não se enquadram nessa categoria”, afirma.” Mais uma vez, essa característica guarda paralelos com o que se vê em muitas associações e entidades de classe, inclusive no Brasil.
O grupo da ATHS no Facebook é aberto a membros e não-membros, o que já estabelece um diálogo com pessoas que não se encaixam no perfil que domina a entidade. “Sabemos que a maioria da indústria de caminhões é do sexo masculino, mas também há muitas mulheres que podemos ver (no Facebook)”, diz Gration, que faz um mea culpa. “Nós não temos uma única mulher em nosso conselho. Precisamos fazer um trabalho melhor para atrair mulheres e também estreitar o diálogo com entidades parceiras.”
Um parceiro em potencial que a ATHS está buscando é o Women in Trucking, uma organização que já atua trazendo a diversidade de gêneros para a indústria de caminhões. Gration espera que, com os esforços, a organização tenha uma nova cara daqui a cinco anos.

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