O que diz a ABComm sobre o projeto que quer destravar o omnichannel no país

Apresentado em junho deste ano na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 148/2019 pretende destravar o omnichannel, como é conhecida no varejo a estratégia de integração entre canais de venda de lojas físicas e virtuais. Entre as sugestões de proposta está a possibilidade de o consumidor retirar o item adquirido em lojas parceiras do estabelecimento de origem do produto.
“O caminho que o setor do varejo vem trilhando nos últimos anos em direção à digitalização é irreversível”, disse ao jornal DCI Guilherme Santos, presidente do comitê de omnichannel da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). “O consumidor está mais exigente em termos de conforto e prazos de entrega, e isso requer uma legislação compatível com essa nova realidade.”
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Segundo ele, a proposta apresentada ao Congresso vai quebrar barreiras na legislação atual que impedem a ampliação do conceito de omnichannel de mercadorias entre estados da federação. “As soluções que as empresas encontram para superar esses desafios envolvem muitos custos com burocracia e operadores logísticos terceirizados. Mesmo que o consumidor tenha comprado em uma loja física de outro estado, se ele quiser devolver em algum outro estabelecimento comercial, não conseguirá por conta das barreiras fiscais e legais”, argumentou.
Para Santos, caso o projeto seja aprovado, o consumidor conseguirá devolver o produto também em algum estabelecimento – mais próximo de sua residência – que tenha parceria com a loja onde a compra foi feita. “Quando pensamos o conceito de logística reversa, isso sempre foi um assunto muito caro ao e-commerce brasileiro. Na legislação atual, o prazo para o arrependimento e devolução do produto é de sete dias. Com a lei em vigor, a retirada ou retorno do item será mais instantânea”, disse.
Segundo ele, o comércio eletrônico brasileiro deverá crescer 15% até o fim do ano. Se a regulamentação passar a vigorar no território nacional, esse percentual pode chegar a 25%.
Santos lembrou ainda que o segmento de vestuário e moda deve apresentar evolução nas vendas, já que a categoria está entre as que têm os maiores índice de devolução e compra pela internet. Em 2018, o comércio eletrônico brasileiro faturou R$ 53,2 bilhões. Ao todo, 58 milhões de consumidores fizeram compras pelo menos uma vez por canais digitais.

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