Brasil ficou para trás em inovações digitais, diz estudo apresentado pela ABPI

O Brasil ocupa as últimas posições no ranking global de inovações da área digital, segundo um estudo elaborado pelos economistas Antônio Márcio Buainain, da Universidade de Campinas (Unicamp), e Roney Fraga Souza, da Universidade Federal do Mato Grosso (FEUFMT). O levantamento, uma atualização do livro Propriedade Intelectual, Inovação e Desenvolvimento: desafios para o Brasil, foi apresentado na última semana pela Associação Brasileira de Propriedade Intelectual (ABPI).
Na edição atual, os economistas confirmam o atraso do país a partir de uma análise de dados do Derwent Innovations Index, uma ferramenta de pesquisa que fornece acesso à internet a mais de 30 milhões de invenções descritas em mais de 65 milhões de documentos de patentes. A pesquisa mostra que as poucas patentes do setor não são inovações obtidas por empresas brasileiras, e sim por estrangeiras que revalidam a proteção no país.
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O Brasil ficou de fora das corridas por patentes de aprendizado da máquina (ou “machine learning”) e computação na nuvem (“cloud computing”), que caracterizaram a computação mundial nesta década. Na primeira tecnologia, apenas 69 das 15.203 famílias de patentes identificadas no levantamento contêm pelo menos uma patente brasileira. No caso do clouding computing, foram identificadas 86 patentes nacionais.
Em ambos os casos, a imensa maioria desses documentos consiste em patentes obtidas por empresas estrangeiras em outros países que foram posteriormente estendidas para o Brasil e revalidadas pelo Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI). Somando as duas áreas de pesquisa, o estudo identificou apenas dez patentes que foram efetivamente depositadas por inventores brasileiros.
“A atualização estatística confirma as grandes linhas que explicam as dificuldades do Brasil, como o atraso na área de inovação, o descompasso em relação aos países mais avançados e a necessidade urgente de reverter essa tendência negativa”, diz Buainain. “Reafirma-se, aqui, que podemos estar nos afastando do futuro sem conseguir tampouco equacionar os problemas do passado.”

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