As lições de duas empresas que trocaram suas sedes (e países)

No início deste verão (no hemisfério norte), dois estúdios de design – o Andstudio, de Vilnius (Lituânia, na foto), e o Muttnik, de Florença (Itália) – trocaram de escritórios entre si por duas semanas para encontrar inspiração em um novo ambiente. No centro da iniciativa das duas empresas está o chamado “efeito novidade”, bastante perceptível, por exemplo, quando voltamos de férias, revigorados e cheios de ideias. Se mudar de ambiente ajuda o cérebro, por que limitar essa abordagem às férias?

“Nós estávamos pensando em deixar nossa cidade natal para experimentar outra cultura de design já fazia algum tempo”, diz Augustinas Paukštė, cofundador da Andstudio. “Embora haja conferências e viagens de trabalho para outros países, em algum momento, isso já não era mais suficiente.”

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Paukštė fez contato com Silvia Agozzino, cofundadora do Muttnik, que aceitou a ideia. O primeiro desafio foi enfrentar a logística – os estúdios estão quase 2 mil quilômetros distantes um do outro. Elas se ajudaram na busca por moradias locais. A Andstudio preparou seu escritório para seus convidados, estocando suprimentos, café e uma lista de dicas para morar em Vilnius.

“Cumprimentamos Muttnik no aeroporto, mostramos a cidade e o escritório”, diz Paukštė. “Também organizamos reuniões com vários criativos locais para ajudar nossos amigos italianos a expandir sua rede profissional.”

A localização e a sensação geral do estúdio desempenham um papel enorme na formação de toda a experiência de troca, conta Paukštė. “Nesse caso, os ambientes dos dois estúdios não poderiam ser mais diferentes”, diz. “Nosso estúdio está localizado na margem de um rio em uma floresta nos arredores do centro da cidade. O estúdio de Muttnik é o oposto: bem no movimentado centro de Florença. Os sons da floresta foram substituídos por ruas turísticas cheias de barulho – e com um calor escaldante.”

Embora os locais fossem diferentes, a adaptação foi rápida. Paukštė conta que ele e sua equipe originalmente se sentiam como os turistas. “Mas depois de alguns dias, sentados em nossas bicicletas italianas, começamos a nos separar dos turistas e quase sentimos que morávamos lá fazia anos”, relata.

Agozzino afirma que ela e sua equipe se envolveram imediatamente na dinâmica da capital lituana. “Encontramos uma cidade super contemporânea, voltada para o futuro”, diz ela. “Algumas das coisas que mais apreciamos foram o relacionamento com a natureza, a luz do sol até 22h30 e a calma. Fomos pegos [bebendo cerveja] por duas policiais a cavalo [durante] um churrasco no almoço de sábado em um parque. Não sabíamos que era ilegal beber álcool em espaços públicos.”

Os resultados
Duas semanas em um novo local tiveram um impacto sobre o trabalho que as duas equipes fizeram durante a troca. “De certa forma, o resultado final de qualquer projeto é diretamente afetado pelo ambiente em torno do processo de trabalho”, diz Paukštė. “Todas as experiências de vida nos afetam diretamente nos níveis pessoal e criativo. As semanas lá nos encheram de motivação que vale para um ano.”

“Ser descontextualizado o torna mais consciente do que você é e do que está fazendo”, acrescenta Agozzino. “É um tempo que você gasta para aprender o máximo que pode em outro país enquanto faz seu trabalho regular. Um período fisicamente distante das dinâmicas e locais [normais] nos deu a energia necessária para voltar e fazer o nosso melhor.”

Paukštė e Agozzino recomendariam a troca de escritórios. “Toda organização aprende com uma experiência como essa”, diz Paukštė. “Alguns podem trabalhar no estabelecimento de novos contatos comerciais e voltar para casa com uma extensa lista de novos leads, enquanto outros podem se concentrar no fortalecimento do espírito de equipe.”

O saldo positivo da experiência fez a Andstudio querer transformar o intercâmbio de escritórios em uma tradição anual, e Paukštė criou uma comunidade de “trocadores” no studio.exchange. “Surpreendentemente, tudo correu de maneira mais suave do que o esperado”, diz ele. “Depois do tempo em Florença, podemos facilmente afirmar que essa foi a melhor experiência de formação de equipes que já tivemos.”

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