O que o alerta de 230 fundos sobre a Amazônia diz às empresas

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Nesta quarta-feira, 230 fundos de investimento internacionais, que juntos administram US$ 16 trilhões, publicaram um manifesto no qual pedem ao Brasil medidas eficazes para proteger a floresta amazônica contra o desmatamento e as queimadas. Se as empresas não prestaram atenção no que diz a carta, é bom que elas o façam.

O documento foi divulgado em meio a uma série de críticas à política ambiental do país. Ele saiu, a propósito, no mesmo dia em que a Organização das Nações Unidas (ONU) vetou o discurso do presidente Jair Bolsonaro ou de um representante brasileiro na cúpula do clima, que será realizada em Nova York na próxima semana. No entanto, isso não pode ser visto apenas como uma crítica dos gestores desses fundos a políticas públicas: o manifesto é também uma recado contundente sobre como as empresas se relacionam com o tema sustentabilidade.

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“Estamos preocupados com o impacto financeiro que o desmatamento pode ter sobre as empresas investidas, aumentando potencialmente os riscos de reputação, operacionais e regulatórios”, diz um trecho do texto. “Considerando o aumento das taxas de desmatamento e os recentes incêndios na Amazônia, estamos preocupados com o fato de as empresas expostas a desmatamento potencial em suas operações e cadeias de suprimentos brasileiras enfrentarem uma dificuldade crescente para acessar os mercados internacionais.”

Esse trecho deixa claro: empresas que relegarem a segundo plano o tema sustentabilidade estarão sujeitas a crises que, em última instância, podem até inviabilizar suas atividades. E isso porque práticas ambientalmente responsáveis não são modismo passageiro ou agenda de determinado viés políticos. Se fundos que administram US$ 16 trilhões em recursos, incluindo participações em companhias de diferentes setores, estão dispostos a tirar dinheiro de empresas que não estão preocupadas com a sustentabilidade de suas operações, o risco de perder investidores está mais que evidente.

O aumento das queimadas registrado na Amazônia brasileira nas últimas semanas fez o Brasil sofrer uma campanha de boicote aos seus produtos, promovida por empresas internacionais que têm uma clientela cada vez mais preocupada com a mudança climática. Além da varejista de moda H&M, as empresas VFcorp, Vans e The North Face também anunciaram que deixariam de comprar couro brasileiro.

Para alguns céticos, essas medidas são pontuais e não terão reflexo significativo sobre a economia brasileira. Mas, quando um grupo que administra recursos que equivalem a nove vezes o produto interno bruto (PIB) do país acende a luz amarela, é bom que as empresas revejam seus conceitos.

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