DNA da inovação: como empresas que só dão prejuízo valem bilhões

No ano passado, 81% dos 134 IPOs (sigla para “Initial Public Offering”, oferta pública inicial de ações) realizados nos Estados Unidos foram de empresas que tiveram prejuízo nos 12 meses anteriores à abertura do capital. O dado foi levantado por Jay Ritter, professor da Universidade da Flórida.

E o fenômeno de fato salta aos olhos. Segundo registra a BBC, na série histórica que começa em 1980, algo parecido só ocorreu no início dos anos 2000, período conhecido como o da “bolha do pontocom”, quando a internet estourou como negócio. Muitas empresas iniciaram ali a escalada em direção a seu reinado global – e um número ainda maior, como se sabe, quebrou, marcando a primeira grande crise da economia digital.

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O dado sobre os IPOs de empresas que só dão prejuízo mostra que estar no azul não é tudo. A lista de companhias valiosas que seguem no vermelho tem vários nomes conhecidos: Uber, a gigante de compartilhamento de escritórios WeWork e a Tesla, que já ficou alguns trimestres no azul, mas nunca um ano fiscal inteiro, situação similar à do serviço de streaming de música Spotify.

O Twitter registrou a primeira sequência de quatro trimestres de lucro em outubro do ano passado, mais de uma década depois de criado. Entre as brasileiras, um dos casos mais emblemáticos é o do Nubank, um dos “unicórnios” locais, termo utilizado como referência a empresas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão.

Para quem não tem tanta familiaridade com a lógica de empresas e investimentos na economia real, a dúvida certamente aparece: como empresas que nunca saem do vermelho podem ser tão valiosas? Em resumo, o que elas têm em comum é o DNA da inovação. Os investidores alocam recursos nesses empreendimentos por acreditarem que eles estão criando algo realmente novo, que pode não render frutos agora, mas tem um potencial futuro gigantesco.

A inspiração para muitos desses modelos de negócio é o caso de sucesso da Amazon. Depois de abrir o capital, em 1997, a hoje gigante do e-commerce levou 24 trimestres – ou seis anos anos – para registrar seu primeiro de lucro.

“Elas valem tanto primeiro porque as pessoas que investem nessas empresas acreditam que elas tenham potencial para gerar muito dinheiro no futuro e, mais importante, porque elas acreditam que podem vender (sua participação) para outra pessoa por um preço ainda mais alto”, disse à BBC News Brasil Aswath Damodaran, professor da Universidade de Nova York e um dos maiores especialistas em “valuation” (termo da contabilidade para o processo que estima o valor de um negócio) do mundo.

Mais uma vez fica a mensagem: lucro não é a única medida de sucesso.

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