Investidores se importam com diversidade de gênero? Sim, mostra pesquisa

Os investidores levam em consideração o fato de as empresas adotarem políticas de diversidade de gênero? Se havia dúvida, não há mais: a resposta é sim, de acordo com um estudo recente realizado por pesquisadores da escola de negócios da Universidade Stanford, nos Estados Unidos.

O levantamento mostrou que os preços das ações de empresas do setor de tecnologia subiram quando as companhias divulgaram diversidade de gênero acima do esperado. Na outra ponta, as cotações caíram quando as empresas anunciaram dados demográficos desapontadores.

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O mesmo padrão ocorreu quando os acadêmicos avaliaram empresas financeiras. Um experimento de laboratório demonstrou as mesmas tendências, e os participantes relataram várias crenças que explicavam por que eram mais propensos a investir em empresas com mais diversidade de gênero.

A pesquisa avaliou os dados a partir da revelação feita em 2014 por uma série de gigantes tecnológicas sobre sua disparidade de gênero. No Google, por exemplo, os homens representavam 70% da força de trabalho; no Facebook, Apple e Twitter, a proporção era semelhante. O mix era ainda mais desigual no alto escalão e em funções técnicas.

O Google foi o primeiro a publicar os números. Depois de considerarem outros fatores, os pesquisadores calcularam que a ação da empresa caiu 0,39 ponto percentual depois da notícia.

Os especialistas projetaram que, se o Google tivesse informado que as mulheres representavam 31% de sua força de trabalho, em vez de 30%, poderia ter aumentado seu valor de mercado em US$ 375 milhões. “Esta é uma resposta significativa”, disse Margaret A. Neale, uma das pesquisadores e professora em Stanford.

Os pesquisadores também usaram o Google como referência para ver como o mercado reagia quando as empresas divulgavam mais ou menos diversidade em comparação com um líder do setor. O preço das ações foi “afetado fortemente” quando as empresas eram comparadas ao Google, segundo a pesquisa. Uma empresa de tecnologia cuja força de trabalho era 1 ponto percentual mais diversa do que a do Google registrou, em média, uma valorização de 1,91% das ações no curto prazo.

Depois do primeiro ano de divulgação dos relatórios de diversidade, as ações não reagiram muito, o que Neale atribui ao fato de que a demografia não havia mudado significativamente. “A má notícia já havia sido precificada na ação“, disse a professora.

Depois, os pesquisadores voltaram a atenção para bancos e empresas financeiras. Eles usaram dados de 50 instituições financeiras compartilhados com o jornal Financial Times em 2017.

Grandes bancos pareciam ser mais igualitários do que as empresas de tecnologia: as mulheres representavam 54,4% dos funcionários do JPMorgan Chase, segundo o relatório; no Bank of America, a força de trabalho se dividia igualmente. Empresas sem presença no varejo, como Morgan Stanley, são menos diversas.

Os pesquisadores descobriram que ações de companhias com maior diversidade de gênero subiram em relação às empresas que informaram ter menos mulheres, a mesma tendência vista no setor de tecnologia.

As descobertas iniciais não explicaram por que os investidores reagiram positivamente às empresas com mais equilíbrio de gênero. Com isso, os pesquisadores criaram um terceiro estudo de laboratório para tentar analisar os motivos.

Nessa etapa, eles simularam o experimento do relatório de diversidade, dando um dólar aos participantes para investir em empresas com base em seus anúncios de diversidade. Como observaram em finanças e tecnologia, os participantes estavam mais dispostos a investir em empresas com mais igualdade de gênero.

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