Nada de vídeos: Washington Post quer que TV seja para ler notícias

A televisão é um aparelho para se assistir a imagens em movimento, certo? A resposta parece óbvia – e a pergunta, tola -, mas um projeto do jornal americano The Washington Post mostra como as alternativas criadas pelo avanço da tecnologia balançam verdades que parecem imutáveis: com um novo aplicativo, a publicação quer que as TVs se transformem em uma ferramenta para ler notícias.

A ideia surgiu a partir de uma provocação feita por ninguém menos que Jeff Bezos, CEO da Amazon e controlador do Washington Post desde 2013, quando ele comprou o jornal por US$ 250 milhões. Há alguns meses, Bezos pediu à equipe de produtos do veículo para tentar desenvolver um aplicativo de leitura de notícias para aparelhos de TV.

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Disponível na Amazon Fire TV e na Apple TV, o app foi apresentado nesta semana – e deixa evidente que suas bases estão assentadas no DNA impresso do Post. O aplicativo foi desenvolvido para melhorar a experiência de leitura de notícias em uma tela de televisão. Vídeos? Aqui, eles são totalmente coadjuvantes.

Ao rolar o menu para a esquerda e para a direita, você percorre uma série de títulos e chamadas para reportagens e conteúdos selecionados por editores humanos. Ao selecionar um deles, você poderá rolar o texto com o controle remoto. O aplicativo também oferece fontes ajustáveis e textos em diferentes tamanhos e cores para que você possa ler mais confortavelmente na tela grande.

Depois de abraçar o desafio sugerido por Bezos, Kat Downs Mulder, vice-presidente de produto e design do jornal, e sua equipe começaram a pesquisar e descobriram, talvez para a surpresa de ninguém, que não havia muitos aplicativos para leitura em televisores. Sem muita referência no mercado para avaliar, o Post voltou-se para pesquisas com os consumidores. Com a Qualtrics, subsidiária da SAP, o jornal perguntou aos usuários de TV o que eles queriam. Esse levantamento ajudou a equipe a descobrir que precisava das cores e fontes ajustáveis, a exemplo dos aplicativos de leitura de dispositivos móveis.

Ao contrário do site do Washington Post e dos aplicativos para smartphones, o aplicativo Fire TV não possui um paywall. Em vez disso, ele tem um contrato de patrocínio com a SAP. Mulder diz que só com o tempo o modelo mais adequado de monetização poderá ser definido. “Estamos sempre pensando em aumentar as assinaturas a longo prazo, mas nosso primeiro objetivo com este produto é criar lealdade, hábitos e focar em uma ótima experiência para o usuário”, diz ela.

E como é a experiência desse novo modo de ler o velho jornal? “Por mais incomum que seja, há algo atraente em ler as notícias dessa maneira”, descreve a Fast Company. Diferentemente de um telefone ou computador, nos quais você é constantemente bombardeado por notificações e outras distrações, a TV pode ser um local de foco, descreve a publicação.

Além disso, enquanto um leitor de notícias no telefone pode oferecer infinitas possibilidades para navegar pelas matérias, as restrições da navegação na TV acabam sendo um de seus trunfos. A experiência de percorrer as manchetes até que algo chame sua atenção lembra muito a dinâmica de ler um jornal.

O novo aplicativo do Post ainda está em desenvolvimento, mas Mulder espera que a ideia de ler na TV ganhe espaço. “Acredito que ter uma tela enorme em sua sala de estar pode fazer mais do que exibir filmes e programas”, diz ela.

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