Um plano de dez anos: a lição de sucessão empresarial dada por Jack Ma, da Alibaba

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No mês passado, Jack Ma, fundador da Alibaba e o homem mais rico da China, deixou a presidência da empresa. Em setembro de 2018, Ma já havia anunciado que sua saída ocorreria dentro de 12 meses, movimento que encerraria um intervalo de 20 anos à frente da gigante de tecnologia. Em uma revelação recente, ele mostrou uma virtude que muitas vezes falta a líderes empresariais: a de saber a hora de parar.

Na semana passada, durante o Forbes Global CEO Conference, evento que reuniu executivos globais em Cingapura, o fundador do Alibaba revelou que seu plano de se afastar do comando da companhia começou a ser desenvolvido há mais de uma década. Segundo M, a ideia teria surgido pela primeira vez em 2004, quando um investidor de risco disse que ele não era “qualificado como CEO”.

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Quando o Alibaba completou dez anos, em 2009, o plano de sucessão tornou-se concreto. “Naquele dia, comecei a pensar que deveria me preparar para minha aposentadoria”, disse o executivo. “Decidi que meu aniversário de 20 anos [como presidente do Alibaba], em 10 de setembro de 2019, seria o dia da minha saída.”

Jack Ma costuma dizer que gostaria que a empresa fundada por ele em 1999 vivesse por, pelo menos, 102 anos. Assim, a Alibaba passaria por três séculos diferentes. Para concretizar essa visão, disse que ele e sua equipe desenvolveram um sistema de liderança robusto, que valoriza novas formas de pensar e trabalhar.

“Você nunca deve ter uma cópia de um Jack Ma. Um Jack Ma é demais para a empresa”, disse ele. “Então, nos últimos dez anos, tentamos construir um sistema que tivesse a liderança certa para criar e descobrir (…) Um sistema que pudesse treinar muitos líderes.” Segundo o empresário, isso inclui estudar a Declaração de Independência dos Estados Unidos, o sistema parlamentar britânico e a política romana para criar uma verdadeira meritocracia.

Daniel Zhang foi escolhido como sucessor de Jack Ma na presidência executiva da Alibaba. Sobre a escolha, Ma disse estar confiante de que a empresa tinha uma estratégia de liderança forte para perseverar ao longo das próximas décadas. “A empresa nunca deve depender de Jack Ma”, disse. “A empresa deve depender de um sistema de liderança. É a cultura. São as pessoas. É o sistema que mantém uma empresa viva por 102 anos, e não apenas uma pessoa.”

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