Como a Syngenta pretende recuperar 1 milhão de hectares do cerrado

A multinacional Syngenta, que atua nos segmentos de sementes e defensivos agrícolas, acaba de apresentar um plano que prevê, em cinco anos, recuperar 1 milhão de hectares degradados do cerrado brasileiro. Batizado de Reverte, o programa será desenvolvido em parceria com a ONG The Nature Conservancy (TNC).

A iniciativa faz parte de um plano global da empresa, que prevê desembolsar US$ 2 bilhões nos próximos cinco anos em programas de sustentabilidade “para ajudar os agricultores a se preparar e enfrentar as crescentes ameaças causadas pelas mudanças climáticas”. O anúncio foi feito nesta terça-feira (22/10).

LEIA TAMBÉM:
Vinte empresas emitem um terço de CO2 no mundo – e a Petrobras está na lista
Como é o plano da Unilever para reduzir drasticamente seu uso de plástico
Como é o programa ambiental da Natura premiado pela ONU

Em nota, a Syngenta informou que, no Brasil, o programa terá frentes como a disseminação de práticas agronômicas sustentáveis, ferramentas financeiras e protocolos sobre o uso de insumos (de fertilizantes e sementes até maquinário e produtos de produção de cultivos). Apenas para dar ideia do que investimento representa, as áreas a serem recuperadas equivalem a mais de 10% de todo o espaço ocupado hoje pela soja em Mato Grosso, maior produtor do grão no país.

O CEO global da companhia, Erik Fyrwald, disse, em comunicado, que o aporte em pesquisa e desenvolvimento para a agricultura sustentável será acompanhado pela meta da companhia de reduzir pela metade a emissão de carbono das suas operações até 2030.

“A agricultura está agora na linha de frente dos esforços globais para enfrentar a mudança climática”, afirmou. “A Syngenta tem o compromisso de acelerar nossa inovação para encontrar soluções melhores e cada vez mais seguras para enfrentar o desafio coletivo da mudança climática e da perda da biodiversidade.”

O Reverte é o projeto lançado especificamente para o Brasil. Com ele, a empresa diz que quer contribuir para que produtores rurais recuperem pastos degradados para que eles sejam novamente ocupados pela agricultura. Isso evitaria a abertura de novas áreas, que levaria necessariamente ao desmatamento.

Na primeira etapa, prevista para começar em 2020, a Syngenta espera recuperar, com o uso de sistemas integrados de produção, 30 mil hectares de pastagens degradadas em Mato Grosso, Goiás e Maranhão.

Atualmente, o sistema mais utilizado no país é a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ele tem sido decisivo para recuperar áreas degradadas e reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 15 milhões de hectares no Brasil já foram recuperados com essa tecnologia e suas variações – integração lavoura-pasto (ILP); integração lavoura-floresta (ILF), além da ILPF.

Um dos principais gargalos para a recuperação de áreas degradadas, de acordo com a multinacional, é a falta de crédito ao produtor. Com isso, o Reverte vai oferecer a produtores parceiros um sistema próprio de financiamento para a recuperação das terras.

A Syngenta estima que 18 milhões de hectares de áreas do cerrado estão hoje em algum estágio de degradação. Com a iniciativa, a companhia pretende auxiliar também a redução das emissões de gases do efeito estufa.

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta