Apagão de mão de obra qualificada afeta tecnologia, bancos e manufatura no país

Em 2020, o Brasil deverá ter um déficit de 1,8 milhão de profissionais para preencher vagas mais especializadas – considerando-se tanto os postos em aberto quanto os que vão ser ocupados por pessoas sem a qualificação considerada ideal. Esse risco foi detectado em uma pesquisa feita pela empresa de recursos humanos Korn Ferry com executivos de empresas que atuam no país.

E a tendência, infelizmente, é de agravamento do quadro. De acordo com a pesquisa, o déficit deve crescer a uma taxa de 12,4% ao ano até chegar a 5,7 milhões de postos com funcionários sem competência ideal ou vagos até 2030. Esse “apagão” da mão de obra qualificada é tamanho que pode se transformar de vez em um limitador do crescimento da economia brasileira.

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Enquanto os dados oficiais informam que há no Brasil 12,5 milhões de desempregados e 38,8 milhões de trabalhadores na informalidade, o estudo indica que as empresas deixarão de faturar US$ 43,6 bilhões (o equivalente a R$ 183 bilhões) até o fim de 2020 justamente por não encontrarem mão de obra especializada para atuarem em áreas estratégicas do negócio, responsáveis pelo crescimento das empresas. Com isso, fica difícil, por exemplo, conseguir novos contratos ou expandir produção, mesmo que a demanda cresça.

O levantamento da Korn Ferry é global, feito com 115 mil empresas pelo mundo, sendo 100 no Brasil. Aqui, a falta de mão de obra qualificada afeta especialmente os setores de tecnologia, manufatura, mídia e telecomunicações e negócios e serviços bancários.

“O Brasil vive uma severa carência de mão de obra especializada”, disse ao jornal O Estado de S. Paulo Jean-Marc Laouchez, presidente do Korn Ferry Institute, responsável pelo estudo. Para ele, apesar de algumas iniciativas nessa área terem sido lançadas, “muito ainda precisa ser feito para o país alcançar seu potencial de crescimento”.

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