A nova tacada das empresas de telefonia: oferecer crédito pelo celular

As empresas de telefonia brasileiras estão, aos poucos, aderindo a uma nova estratégia de diversificação de seus negócios: a oferta de linhas de crédito via telefones celulares. As operadoras Vivo e Claro já lançaram serviços do gênero, e a TIM está finalizando o seu.

Esse filão é enorme. Hoje, segundo uma pesquisa do Instituto Locomotiva, 45 milhões de pessoas ainda são “desbancarizadas”, termo que faz referência a quem não tem conta bancária ou não a movimentou nos últimos seis meses. Esse público tem feito girar somas crescentes de recursos. No ano passado, segundo a Associação Brasileira de Crédito Digital, os desbancarizados movimentaram R$ 1,2 bilhão, ou 35% a mais que os R$ 800 milhões de 2017.

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Esses consumidores podem não ter conta em banco, mas a maioria tem uma linha de celular. É isso que abre o filão para as operadoras de telefonia, estimuladas, também, pela estratégia do Banco Central de ampliar a oferta de crédito por meio de competição de novos agentes financeiros, principalmente do setor de tecnologia.

A Claro lançou o seu serviço nesta segunda-feira (25/11), em parceria com a mexicana Inbursa. Para ter acesso aos recursos, o tomador precisa baixar um aplicativo da operadora (Claro Smartcred), inserir dados pessoais, e incluir documentos (RG e CPF) digitalizados. A análise de crédito é feita de maneira automática. Os empréstimos, que vão de R$ 1,5 mil a R$ 10 mil, podem ser parcelados em até 38 vezes. As mensalidades são lançadas na fatura da operadora.

Na Vivo a parceria é com o banco Digio, que atende 14 empresas de tecnologia (fintechs). Lançado em agosto, o projeto, batizado de Vivo Money, é um teste para algo maior: a exploração de serviços de crédito e pagamentos. A empresa oferece crédito de R$ 1 mil a R$ 30 mil com juros mensais de 2,9% a 9,9%.

A TIM está praticamente concluindo a elaboração de seu plano, segundo o jornal Folha de S. Paulo. Na Itália, a empresa fechou parceria com o banco espanhol Santander.

Um estudo da consultoria PricewaterhouseCoopers mostra que, em um cenário de queda persistente de receitas de serviços de telefonia, as operadoras precisam se valer dos benefícios da digitalização para gerar outros tipos de receitas. Os serviços financeiros seriam uma nova fronteira.

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