A queda de um gigante: falência da rede Casas da Banha completa 20 anos

Faz 20 anos que o setor varejista brasileiro testemunhou a derrota definitiva de uma de suas gigantes: a Casas da Banha, que chegou a ser uma das maiores redes de supermercados do Brasil, teve sua falência decretada em 1999, em um dos exemplos mais eloquentes dos problemas causados às empresas brasileiras pelos planos econômicos heterodoxos adotados pelos governos Sarney e Collor.

A rede foi criada em 1955 pelo empresário Climério Veloso, também proprietários do Jornal dos Sports, hoje extinto. Nascida no Rio de Janeiro, a rede ganhou projeção nacional nos anos 70 ao patrocinar o programa Discoteca do Chacrinha, na finada TV Tupi.

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Entre o fim daquela década e o início da seguinte, a Casas da Banha acelerou sua expansão no mercado fluminense ao comprar as filiais dos Supermercados Ideal e Merci. O crescimento também levou a rede a estados como São Paulo, Minas Gerais e Bahia. Em seu auge, a companhia chegou a ter quase 230 lojas, nas quais trabalhavam 18 mil pessoas.

A popularidade da marca foi construída com o apoio de nomes conhecidos da TV. Além de Chacrinha, a lista de personalidades que emprestaram sua imagem para as propagandas da rede teve nomes como a jornalista Marília Gabriela, a apresentadora Hebe Camargo e os atores Diogo Vilela, Bia Nunes, Tião Macalé, Cecil Thiré e Tim Rescala.

Os problemas da Casas da Banha começaram em 1986. Naquele ano, o governo lançou o Plano Cruzado, marcado especialmente pela política de congelamento de preços. A situação se agravou com o Plano Collor, anunciado em março de 1990, que confiscou a poupança e pôs a corda no pescoço de muitas empresas que já estavam enfraquecidas pelos planos econômicos fracassados do governo anterior.

Em 1991, a Casas da Banha tinha 9 mil funcionários, ou apenas metade do contingente alcançado do início da década anterior. No ano seguinte, de uma só vez, a empresa, que tinha uma folha de pagamento de US$ 2 milhões, em valores da época, precisou demitir 3,5 mil funcionários para tentar salvar sua operação.

Mas não havia mais fôlego. As lojas foram sendo fechadas ao longo dos anos seguintes, até que a Casas da Banha virou apenas um nome frequentando audiências na Justiça. A falência foi decretada em 1999 a pedido da própria empresa, que alegou não ter recursos para cobrir suas dívidas. Climério Veloso, fundador da rede, faleceu dois anos depois.

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