Como a Alibaba mudou o e-commerce global com a “Black Friday chinesa”

O varejo brasileiro está dedicado nesta sexta-feira às ações ligadas à Black Friday. A campanha de vendas promocionais do comércio (e também de outros setores), que chegou ao país em 2010, marca o início da temporada de compras de Natal nos Estados Unidos desde 1952. No entanto, é uma outra versão da data, ainda embrionária por aqui, que tem sido vista como um divisor de águas no comércio eletrônico no planeta: criado na China pela plataforma de varejo digital Alibaba, o Dia dos Solteiros acaba de completar dez anos – e já se tornou a data campeã de vendas do comércio eletrônico no planeta.

A “Black Friday chinesa” surgiu no início dos anos 90 entre estudantes da Universidade de Nanjing como uma data alternativa para comemorar o Dia dos Namorados. O dia escolhido foi 11 de novembro, e não havia maiores pretensões para a celebração – até a gigante do e-commerce Alibaba abraçar a causa, em 2009.

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A plataforma chinesa estava em busca de ideias para promover o Tmall, seu site de varejo online, então recém-lançado. Assim, a empresa transformou a data em um motivo para fazer compras. Neste ano, o Alibaba somou US$ 38 bilhões em vendas no Dia dos Solteiros, batendo o recorde estabelecido em 2018, quando elas somaram US$ 30,8 bilhões.

A campanha lançada pelo Alibaba transformou o 11 de novembro no dia de maior faturamento do comércio eletrônico no mundo. Ela já é maior em receita que a Black Friday (mais concentrada em lojas físicas) e a Cyber ​​Monday (iniciativa do comércio eletrônico também criada nos EUA) somadas.

Em outubro, o Project Management Institute (PMI) incluiu o Dia dos Solteiros na lista dos 50 projetos e iniciativas que ajudaram a redefinir a humanidade no último meio século. Segundo o PMI, organização que reúne mais de 550 mil profissionais em 208 países e que se dedica a áreas como padronização industrial e gestão de projetos, o Dia dos Solteiros simplesmente “mudou a maneira como as pessoas compram”. Na lista do Instituto estão iniciativas que redefiniram a vida no planeta, como a criação da internet, do euro e da Estação Espacial Internacional.

Como parte de seu processo de internacionalização, a data foi rebatizada em 2015 como 11.11 Global Shopping Festival. Ela chegou ao Brasil em 2019, e seus resultados ainda são modestos se comparados com a Black Friday – que espera vendas de R$ 3,15 bilhões, ou 21% a mais que em 2018, segundo projeção feita pelo grupo franco-brasileiro de marketing digital LeadMedia, idealizador do evento no Brasil. Ainda assim, a julgar pelo que já ocorreu em outras partes do mundo, não é de se duvidar que a iniciativa chinesa ganhe corpo no varejo brasileiro.

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