Com a Wildlife, Brasil chega à marca de dez unicórnios (ou 11, ou 12, ou 13)

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A desenvolvedora de jogos para celular Wildlife é a mais nova brasileira no clube dos unicórnios, como são conhecidas as startups (jovens empresas independentes de tecnologia) avaliadas em pelo menos US$ 1 bilhão. Fundada em São Paulo em 2011 pelos irmãos Victor e Arthur Lazarte, a empresa ultrapassou essa marca ao obter US$ 60 milhões em um rodada de captação de investimentos liderada pelo fundo americano Benchmark Capital. Para definir o aporte, a empresa foi avaliada em US$ 1,3 bilhão, segundo a revista Exame.

Discreta, a Wildlife tem feito barulho mesmo é com o desempenho de suas criações. Ela é responsável por jogos como Sniper 3D, de 2013, e Tennis Clash (na imagem), lançado há apenas dois meses, que, juntos, somam 2 bilhões de downloads no mundo. O Tennis Clash está hoje entre os dez jogos mais baixados em mais de 100 países, e o Bike Race, disponível há sete anos, alcançou uma longevidade rara nesse tipo de produto.

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Ao se tornar um unicórnio, a Wildlife (que até agosto se chamava TFG) entra em grupo em que já figuram o aplicativo de táxis e carros particulares 99, o banco digital Nubank, a plataforma de aluguéis de residências QuintoAndar e a mais recente delas (antes da desenvolvedora de jogos, claro), a processadora de pagamentos Ebanx. Mas há uma controvérsia: afinal, quantos são os unicórnios brasileiros?

A indefinição existe por mais de um motivo. Assim, a depender da análise, a quantidade chega dez, 11, 12 ou mesmo 13 empresas. Uma das dúvidas é sobre o “direito” de o PagSeguro entrar na lista. A empresa de meios de pagamento chegou ao valor de mercado bilionário em janeiro do ano passado, quando lançou suas ações na Bolsa de Nova York. Ao fim do primeiro pregão, seu valor de mercado havia chegado a US$ 9,2 bilhões.

Ocorre que o termo startup faz referência a uma nova empresa que opera em um cenário de grande incerteza, sem um modelo de negócios definitivo, mas repetível e escalável. E, para quem não a inclui no grupo, o argumento é de que a PagSeguro não começou como uma empresa, mas sim como propriedade de outra – no caso, o UOL. A PagSeguro foi criada em 2006 dentro de um dos maiores grupos de mídia do Brasil e foi crescendo até se tornar um novo braço da corporação, da qual faz parte também o jornal Folha de S. Paulo.

Uma segunda controvérsia é a sobre a inclusão ou não da Brex, que atua no mercado de cartões de crédito corporativos. Aqui, não se trata de destrinchar o termo startup, mas da nacionalidade da empresa: ela foi criada em 2017 pelos brasileiros Henrique Dubugras e Pedro Franceschi, mas nasceu já no Vale do Silício, nos Estados Unidos, e não no Brasil.

Por fim, há ainda quem considere Movile e iFood como um só unicórnio. A partir desse critério, mais a exclusão de PagSeguro e Brex, a lista de unicórnios passa a ser de dez startups, em vez das 13 potenciais integrantes do grupo.

A Movile, empresa-mãe do aplicativo de entrega de comida iFood, também criou outros negócios, como as plataformas PlayKids, de conteúdo educativo, e Sympla, de venda de ingressos. Mas, aqui, Fabrício Bloisi, CEO da Movile, já esclareceu: segundo ele, o iFood tornou-se unicórnio no fim de 2018, enquanto a controladora teria atingido o mesmo status já no ano anterior, ainda que não tivesse divulgado o feito na ocasião.

Se a controvérsia permanece, o certo é que os investimentos em startups brasileiras estão em franca ascensão. O país deverá fechar este ano com US$ 2,5 bilhões em rodadas de investimento, quase o dobro de 2018 e mais de 60% do capital de risco da América Latina, segundo a Exame. A publicação cita cálculos da empresa de inteligência de startups Distrito feitos com base em dados da Lavca, associação latino-americana de venture capital.

Os unicórnios brasileiros

– 99 (aplicativos de táxis e carros particulares)
– Nubank (cartão de crédito e banco digital)
– Movile (desenvolvedora de aplicativos, entre eles o iFood)
– Arco (sistema de ensino)
– Stone (maquininhas de cartão)
– iFood (plataforma de entregas de restaurantes)
– Loggi (logística)
– Gympass (planos de academias)
– QuintoAndar (aluguéis)
– Ebanx (pagamentos)
– Wildlife (desenvolvedora de jogos para celular)

E as controvérsias:
– PagSeguro (meios de pagamento)
– Brex (cartões de crédito)
– Movile/iFood: uma ou duas

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