Desenvolvendo a carreira em uma entidade setorial

Quando se pensa em locais de trabalho, alguns rankings importantes elencam – já há algum tempo – as melhores empresas para alguém desenvolver uma carreira, ter qualidade de vida, encarar desafios interessantes, viver uma experiência internacional e muito mais. Há as empresas dos sonhos, as empresas mais inovadoras, aquelas com melhores benefícios e tantos outras que se destacam e conquistam um alto grau de atratividade e retenção de seus talentos. Ainda parece estar longe, no entanto, uma lista das melhores entidades e associações nos mesmos moldes. Por outro lado, com estruturas mais profissionalizadas, boa gestão e ambiente organizado, as associações são, sim, instituições onde é possível desenvolver uma carreira, ter muito aprendizado e ser bastante valorizado como profissional.
Consultorias de recrutamento e seleção, as famosas empresas de headhunting, possuem entre os seus clientes, cada vez mais, algumas associações importantes, que utilizam dos serviços especializados quando querem buscar profissionais no mercado. Afinal, como são vistas as associações como empregadoras? Que tipo de profissional é o mais procurado para seus quadros? Associações Hoje conversou com consultores de duas importantes empresas de hunting e traz a visão de quem faz a triangulação entre candidato, mercado e cliente.
“Associações de classe acabam não sendo, ainda, vistas como uma grande oportunidade para profissionais. Isso tende a acontecer por conta do desconhecimento que muitos profissionais têm das vantagens de se trabalhar nesse tipo de organização”, aponta Tauan Mendonça, da Vittore Partners, boutique de executive search especializada no mercado de Direito, Tributário, Compliance e Relações Governamentais. “Mas, na verdade, as oportunidades são bastante vantajosas para o currículo dos profissionais que acabam migrando para esse setor. O pacote de remuneração e benefícios varia, obviamente, mas, no geral, é a chance perfeita para o profissional se tornar especialista em um determinado mercado e conseguir liderar discussões importantes dentro do segmento. Uma posição em entidades setoriais incrementa o currículo ao criar oportunidades para liderança de projetos e discussões que melhoram um setor específico do mercado”, continua. Para Bruno Lino, da 2Get, “as associações também podem ter o benefício de oferecer mais estabilidade, ainda que o crescimento profissional possa ser mais lento”.
Na hora de recrutar as pessoas, o perfil do candidato também pode fazer toda a diferença no sucesso da parceria entre entidade e executivo. “Profissionais mais maduros, que entendam o ambiente em que estão inseridos e suas diferenças para o mundo corporativo (velocidade, objetivos, etc.), são os perfis mais adequados”, afirma Bruno. “Além disso, devem ser profissionais com ótima capacidade de relacionamento: entidades possuem relações com diferentes stakeholders e essa competência se faz fundamental”, completa. Opinião semelhante tem Tauan: “As conquistas técnicas acabam sendo o grande diferencial de quem opta por trabalhar em associações. Com isso, na hora de recrutar, ficamos atentos aos profissionais que já demonstram uma paixão pelo assunto e, mais do que experiência em diversas empresas, que sigam uma carreira sólida em um segmento específico. Isso garante a senioridade do executivo para promover e engajar todo um grupo de empresas e profissionais em um mesmo objetivo. Na parte emocional, buscamos quem tem ótimo relacionamento interpessoal e capacidade de liderança nata”. Ambos também são unânimes em afirmar que o candidato deve ter o perfil de quem “coloca a mão na massa”. “Muitas associações acabam tendo áreas mais enxutas e necessitam de profissionais que não tem medo de planejar e executar um projeto”, explica Tauan. “As estruturas são realmente menores e todos precisam sair da sua zona de conforto”, finaliza Bruno.

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