Falar com a imprensa: nos bons e maus momentos

Não há dúvida que a imprensa é um público importante para qualquer entidade. Ter um diálogo aberto e transparente com os veículos de comunicação, mais especializados no setor de atuação de determinada entidade ou mais generalistas, deveria ser um procedimento inquestionável para qualquer associação que pretende ter voz ativa na sociedade e um papel relevante frente às autoridades públicas e setor privado.
Hoje, o que os jornalistas apuram e publicam não fica restrito às paginas impressas de jornais, portais e revistas ou aos programas em rádio e TV. A entrevista ganha enorme visibilidade graças às redes sociais, que espalham com velocidade assustadora as informações. Ou seja, quando um representante de entidade conversa com um jornalista, as informações que ele passar não estarão apenas na mídia tradicional, mas serão também replicadas em redes como o Linkedin e o Facebook. E se essa informação chega com a “chancela” de um veículo e de um jornalista com boa reputação e credibilidade, os eventuais ruídos na comunicação ou interpretações equivocadas são bastante minimizados. O mesmo vale para o entrevistado, que se gozar de credibilidade e boa reputação, irá fazer com que a sua mensagem seja respeitada. Tanto os jornalistas quanto às fontes, em uma relação profissional e ética, levam para esse relacionamento algo que faz toda a diferença nesta época da fluidez das notícias: credibilidade.
Como fazer, portanto, para que associações e seus respectivos porta-vozes estabeleçam uma relação mais produtiva com jornais, revistas e meios eletrônicos, diante deste ambiente? Associações Hoje ouviu jornalistas de duas das mais importantes publicações de negócio do país – a revista Exame e o jornal Valor Econômico – sobre oportunidades e desafios desta relação.
De acordo com José Roberto Caetano, editor executivo de Exame, “há muitas entidades que são fontes confiáveis e relevantes para nós, especialmente quando têm dados, indicadores e estatísticas sobre o setor ou quando fazem estudos que podem municiar reportagens”. Ivo Ribeiro, editor de Indústria e Infraestrutura do Valor Economico, compartilha a mesma percepção. “Se elas fizerem um trabalho bem feito, com muita informação e transparência, as entidades tem uma importância significativa para a sociedade e para nós, jornalistas”, afirma.
E se as entidades já tem esse papel tão relevante, o que faltaria para que elas e os setores que elas representam ganhem mais visibilidade positiva? Aqui parece haver mais um consenso. Não basta ter boas informações, é preciso ter pessoas preparadas para falar com a imprensa. “Há entidades com bons porta-vozes, com credibilidade e conteúdo, mas vale sempre lembrar que é fundamental que ao falar com a imprensa o representante da associação conheça bem seu setor e tenha casos e situações vividos pelas empresas que possa compartilhar com os jornalistas”, explica José Roberto. “Nesse sentido, quando as pessoas que costumam dar entrevistas pela entidade são também executivos das empresas associadas, elas costumam fornecer mais elementos que enriquecem a reportagem, pois conhecem melhor a dinâmica das corporações, as entranhas dos negócios, os problemas”, diz. Para Ivo, além da transparência e do fornecimento de dados, “é imprescindível ter disponibilidade. Tem entidade que não fala com a mídia, que o presidente evita o contato com a imprensa. Eles acham que se ficarem quietinhos, melhor. Mas isso é um pensamento antigo”, aponta. “Algumas preferem não se posicionar quanto o assunto não interessa a elas, mas quer falar quando interessa. Muitas não entendem que  são um retrato do setor, tem um papel fundamental na sociedade e precisam se posicionar”, reforça Ivo.
Tal comportamento fica ainda mais evidente em momentos de crise. Ter processos de comunicação bem estruturados, além dos já mencionados porta-vozes treinados, pode fazer toda a diferença na gestão dos momentos mais delicados, seja envolvendo diretamente o nome da entidade, o setor ou parte das empresas associadas. Números do IC Crisis Index, levantamento realizado anualmente desde 2007 pela consultoria de comunicação Imagem Corporativa com base no noticiário dos principais jornais e revistas do país, apontou que em 44% das crises corporativas registradas pela imprensa em 2016 as empresas envolvidas não se pronunciaram publicamente sobre os fatos divulgados.
As crises podem se tornar muito mais críticas se houver falhas de comunicação ao longo do percurso. “Mas para isso é preciso porta-voz preparado, isento”, reforça Ivo. “Quando vem uma crise, todos querem falar, mas nem sempre sabem as melhores mensagens, as melhores abordagens, os procedimentos corretos. Ficam perdidos. Normalmente, isso acontece justamente com as entidades que nunca falaram, que nunca foram transparentes”, lamenta Ivo. “O relacionamento com a imprensa deveria ser visto como um casamento. É na saúde e na doença, nos bons e nos maus momentos”, brinca.
“Quando as entidades têm informações, históricos e indicadores compilados, não há porque não falar”, orienta José Roberto. “Elas são um ponto de partida ou um complemento necessário a uma matéria de empresa, de setor ou da economia como um todo, nos momentos de crise ou de calmaria”, completa.
E a sua entidade, está preparada para o relacionamento com a imprensa? Possui processos de comunicação bem estruturados e porta-vozes treinados? Comente!

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta