Perfil: por dentro da Abiad

Leia também

A Abiad, Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres, foi fundada em julho de 1986 e representa as categorias de alimentos para dietas com restrição de nutrientes, para ingestão controlada de nutrientes, para grupos populacionais específicos, suplementos vitamínicos e ou de minerais, adoçantes de mesa, alimentos adicionados de nutrientes essenciais, bebidas dietéticas e ou de baixas calorias e alimentos com alegação de propriedade funcional (alimentos funcionais). Com mais de 30 anos de atuação, um dos principais objetivos da entidade é desenvolver entre os seus associados, bem como entre os demais produtores de alimentos para fins especiais no país, o espírito associativo, a leal concorrência e a franca e efetiva cooperação. Associações Hoje conversou com Tatiana Pires, presidente da Abiad, sobre o papel da entidade em relação ao setor e às empresas associadas. Leia a seguir a entrevista:

  1. Qual deve ser o papel de uma entidade setorial em um Brasil em transformação como o atual, com tantos desafios econômicos, políticos e sociais? E qual a estrutura interna necessária para cumprir esse papel?

Cada vez mais, as entidades tem um papel fundamental em trazer a tona discussões que gerem impacto ou que representem oportunidades para o seguimento de atuação. A defesa da ética concorrencial, a garantia da liberdade de mercado e o compartilhamento de conhecimento técnico e científico junto aos stakeholders e legisladores, visando a melhoria do setor como um todo, são papeis igualmente importantes. O diálogo legítimo entre os setores públicos e privados, de forma transparente, gera benefícios para toda a sociedade. Assim, a entidade deve estar sempre atenta, monitorando potenciais propostas/projetos e também atuando de forma proativa, com o objetivo de influenciar uma agenda positiva. Uma associação também deve ser flexível de forma a acompanhar as mudanças sócio-econômicas, ajustando a estratégia de acordo com os novos cenários.

  1. O que um associado de entidade deve esperar dela em termos de defesa do ideário da categoria/classe que representa?

Os associados devem esperar que a entidade trabalhe em prol dos interesses do setor que ela representa. Isso vale também para as subcategorias. A entidade deve estar preparada para apoiar os associados de forma estratégica (quando se trata de um tema prioritário para o setor), bem como de forma reativa. É importante que a entidade tenha capacidade de informar o associado sobre alterações e perspectivas do setor e, quando houver algum desafio importante, saiba orientá-lo de forma correta. Embora a tratativa da entidade seja sempre em prol do setor, o associado espera o apoio da entidade, mesmo que seja apenas com orientações,  em casos mais pontuais e específicos.

  1. E sobre as ofertas de serviços e suporte associativo de forma geral?

As empresas estão cada vez mais enxutas em termos de estrutura interna, além de se mostrarem mais criteriosas com gastos e investimentos em consultorias e outros serviços. Assim, as entidades devem estar atentas às demandas dos seus associados de forma geral. Nos últimos dois anos, a Abiad vem revisando a sua estrutura para apoiar cada vez melhor os seus associados, de forma proativa. Isso inclui a contratação de staff e de consultorias especializadas em assuntos regulatórios, bem como o estabelecimento de parceria com uma agência de Relações Governamentais, com sede em Brasília e escritório em SP, melhora no serviço de clippings e também revisão da comunicação aos associados de maneira assertiva. A melhora da comunicação envolve a revisão de uma série de processos, do mailing e a modernização do site da entidade, visando facilitar o acesso à informação. A entidade passou a contar, ainda, com o apoio de uma consultoria de dados econômicos, que passa a acompanhar o Setor da Abiad de forma bastante robusta.

  1. Como deve atuar uma entidade para atrair e reter talentos, de forma a garantir um quadro de funcionários qualificados?

A entidade deve olhar o seu quadro de talentos de forma individual: alguns profissionais atuam no setor buscando maior flexibilidade, outros enxergam uma oportunidade para crescer e aprender em função do leque de desafios e oportunidades dentro do seguimento. A retenção de talentos é sempre um grande desafio, até pela exposição dos profissionais às empresas associadas. Em geral, as entidades atraem e retém talentos que buscam autonomia, desafios e flexibilidade, até pelo formato de gestão da entidade.

  1. Por falar em pessoas, que tipo de profissional ou de competências as entidades mais buscam para seus quadros?

O tipo de profissional varia muito de entidade para entidade, até em função da estrutura de cada uma. No caso da Abiad, que é uma entidade com estrutura bastante enxuta, sempre buscamos profissionais proativos e que atuem com autonomia. Importante que tenham skills de relacionamento e que busquem soluções; que sejam comprometidos, proativos e “hands on”, independentemente da formação. Acreditamos também na importância de garantir um “mix” de profissionais que tenham vivências e formações distintas, garantindo a complementação das habilidades desses profissionais que apoiam a entidade. Por fim, vale ressaltar a importância do trabalho voluntário nas entidades, normalmente exercido por associados, e que complementam de forma bastante construtiva o trabalho realizado pela entidade.

- Publicidade -

Outras notícias

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Publicidade -

Mais recentes

#NãoVolte: CEOs defendem que mundo não volte a ser como antes da pandemia

Um grupo de quase 50 líderes empresariais brasileiros, entre os quais estão mais de 30 CEOs, aderiu a uma campanha internacional que defende que...

O que coloca São Paulo entre os 100 maiores polos científicos do mundo

São Paulo está entre os 100 principais polos de produção científica do mundo, segundo um novo ranking, publicado neste início de setembro. A lista é um...

Filantropia aumenta a desigualdade em vez de reduzi-la, diz novo livro

A filantropia nunca foi tão intensa no mundo quanto nos dias de hoje, mas, em vez de ajudar a reduzir a distância de renda...

Carlos Brito, da AB InBev: os três pilares da liderança corporativa

Após mais de uma década, Carlos Brito pode estar perto de encerrar sua trajetória como principal executivo da Anheuser-Busch InBev. O Financial Times informou nesta...

As diferenças entre o boom de IPOs de 2020 e o de 2007

Se o ritmo atual se mantiver, o mercado de capitais brasileiro deve registrar um volume recorde de lançamentos de novas ações na B3. Nesta...