Abrafrutas: como, pela primeira vez, o Brasil exportará mais de US$ 1 bi em frutas

Em 2019, o Brasil deve exportar mais de US$ 1 bilhão em frutas pela primeira vez na história, segundo projeção do presidente da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas (Abrafrutas), Luiz Roberto Barcelos. A marca quase foi superada no ano passado, quando os embarques somaram US$ 947 milhões.
“Alguns fatores são fundamentais para alcançarmos essa cifra, e o principal deles é o câmbio”, disse o dirigente ao site Comex do Brasil. “Se efetivamente as moedas estrangeiras seguirem valorizadas, as exportações serão estimuladas.”
Mas não se trata apenas de câmbio, afirma Barcelos, também proprietário da Agrícola Famosa, maior exportadora brasileira de melões e que produz e exporta ainda frutas como mamão, melancia, banana e maracujá. O lançamento do Plano Nacional de Desenvolvimento de Fruticultura no ano passado, com o Ministério da Agricultura ainda sob o comando de Blairo Maggi, também ajudou a dar o impulso extra para o aumento das vendas ao mercado externo.
“Esse plano é fundamental para incentivar toda a cadeia produtiva da fruticultura e, com isso, dar suporte às exportações”, explica ele. “Infelizmente, o lançamento veio em um ano muito complicado, no qual tivemos eleições. Além disso, houve grandes mudanças na estrutura do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Mas até para evitar a ruptura no tratamento dos temas ligados à fruticultura é que o plano foi lançado. Assim, mudanças no governo não influenciam ou paralisam o andamento dos assuntos ligados ao setor.”
O Brasil pode dar um outro grande salto se conseguir vender para o gigantesco (e fechado) mercado chinês. Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), a China importa muito mais frutas frescas do que carnes bovinas ou de frangos. As compras são 86% maiores se comparadas às carnes bovinas e 441% a mais que as carnes de frango. O país asiático importou 4,4 milhões de toneladas de fruta em 2017, de acordo com a China Chamber of Commerce of Foodstoof and Native Produce, boa parte delas procedentes de países sul-americanos, entre eles Chile, Peru e Equador.
Segundo a Abrafrutas, um dos grandes entraves para as exportações à China está nas questões fitossanitárias, que envolvem o cumprimento de normas bastante rígidas e complexas. Outro obstáculo é a distância, que encarece o frete e eleva outras despesas ligadas à logística. A expectativa do exportadores brasileiros é de que a conclusão das obras de ampliação do Canal do Panamá reduza esses custos, o que tende a melhorar a competitividade das frutas brasileiras.
O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de frutas, atrás apenas de China e Índia, mas, nas exportações, aparece apenas em um modesto 23º lugar. “O grande mercado interno brasileiro certamente é uma justificativa para a baixa performance nas exportações. Os nossos vizinhos, Peru e Chile em especial, por não possuírem esse expressivo mercado interno, acabam sendo forçados a exportar”, afirma Barcelos.
Segundo o dirigente, em 2018, o Brasil abriu os mercados da África o Sul para mangas e da Coreia do Sul para as uvas. Também já houve avanço nas negociações de abertura do mercado chinês para os melões brasileiros.

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