O que diz a ABNT sobre o fim do uso obrigatório da tomada de três pinos

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O diretor técnico da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Guilherme Tolstoy, classifica como um “retrocesso” a possibilidade de o governo revogar o uso compulsório da tomada da tomada de três pinos. A obrigatoriedade foi estabelecida em 2011. Nesta segunda-feira, o jornal Valor Econômico informou que o governo brasileiro cogita redigir nova norma para permitir a adoção de outro padrão.
O representante da ABNT ressaltou que, apesar dos transtornos causados pela alteração para a tomada de três pinos, foram realizados estudos para a adoção do novo padrão. “Foi ruim? Foi. Deu trabalho? Deu. Mas temos justificativas técnicas para terem ocorrido as mudanças. Quero saber qual é a justificativa técnica para o retorno. Não existe”, avaliou Tolstoy à Época Negócios. Ele menciona a segurança atrelada ao padrão em vigor. “Hoje em dia é impossível levar um choque com a tomada de três pinos. Seria caótico alterar isso novamente.”
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Para Tolstoy, a proposta do governo não tem nenhum embasamento técnico e é completamente contraproducente. “Quantas construções foram feitas no Brasil nos últimos oito anos com esse modelo de tomada? Todos os fabricantes de eletrodomésticos e produtos elétricos estão produzindo com o novo modelo de plugue. Como é que eu vou fazer agora para voltar atrás nisso tudo?”, questionou.
Integrantes do governo argumentam que a medida traria impacto na produtividade por dificultar a entrada de produtos importados. A tese é refutada por Tolstoy, que acredita que quem deve determinar as regras é o comprador.
“Quem quiser exportar para o Brasil, coloque a nossa tomada. Não é proibido exportar para o Brasil. Vai simplesmente ter de adaptar o seu produto às regras brasileiras”, defendeu, lembrando que no mundo inteiro cada país tem sua particularidade e que as empresas sempre se ajustam a elas.
Embora afirme que não há como estimar quanto seria o gasto com a reversão dessa norma, Tolstoy observa que o processo não é feito de imediato. Ele explica que, desde que foi aprovada por uma comissão de estudos, em 1998, a norma vigente passou por regulamentação do Inmetro, que estipulou prazos até a obrigatoriedade em 2011. É por isso que, se for levada adiante a revogação da norma, o diretor da ABNT prevê um “desordenamento total” no uso de plugues e tomadas.

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