Negros ganham 42,5% menos e ocupam apenas 30% dos cargos de chefia no país

Mesmo representando mais de 55% da população brasileira, negros e pardos ocupam apenas 29,9% de cargos gerenciais no país. Esses postos são dominados por brancos, com 68,6% do total, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Neste 20 de novembro, Dia da Consciência Negra no Brasil, os dados são uma evidência de que as desigualdades raciais seguem acentuadas no país. As empresas e seus líderes podem dar contribuições decisivas se optarem por fazer algo para mudar o quadro.

LEIA TAMBÉM:
Acusado mais uma vez de racismo, Facebook enfrenta nova onda de críticas
No Brasil, salários ainda têm disparidade por gênero e baixo reajuste, diz pesquisa
Mulheres negras protagonizam apenas 7,4% dos comerciais de TV no Brasil

Divulgado na última quarta-feira, o levantamento tem como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, a Pnad Contínua. Após análise das pessoas ocupadas no país, as informações mostram ainda que os pretos e pardos ganham, em média, R$ 1.608, ou 42,5% (R$ 1.188) a menos que os brancos, que têm salário médio de R$ 2.796.

“O recorte tanto por nível de instrução quanto por hora trabalhada reforça a percepção da desigualdade por cor ou raça. Em 2018, enquanto o rendimento médio das pessoas ocupadas brancas atingiu R$ 17por hora, entre as pretas ou pardas o valor foi R$ 10,1”, diz a pesquisa do IBGE.

O Instituto mostra ainda que a disparidade salarial também existe entre pessoas com níveis de instrução mais elevados. Pretos e pardos com ensino superior, por exemplo, ganham menos que brancos com a mesma escolaridade.

“Para que esse cenário possa ser modificado, precisamos combater veementemente o racismo, em todos os âmbitos nos quais ele se apresenta. A igualdade racial e a luta antirracista precisam ser uma causa de todos, não apenas dos negros. Essa é a única forma de podermos começar a construir uma sociedade menos desigual e excludente”, analisa Heloise da Costa, do Instituto Identidades do Brasil, que desenvolve trabalhos para promoção da igualdade racial no país.

Os negros são a maior parte da força de trabalho no país. Em 2018, esse contingente de profissionais somou 57,7 milhões de pessoas. Os dados informam ainda que pretos e pardos são a maioria entre as pessoas que trabalham em atividades informais – e isso fica ainda mais evidente no Nordeste – e são também 64% das pessoas desocupadas (que não exerceram nenhuma atividade remunerada no ano passado) no país.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta