Como a Schneider Electric atingiu 100% de igualdade salarial para funcionários

Com mais de 180 anos de existência, a multinacional francesa Schneider Electric, especializada em produtos e serviços para distribuição elétrica, controle e automação, anunciou recentemente um feito que ainda é exceção no universo corporativo: igualdade total nos salários de seus funcionários.

A conquista, anunciada durante um fórum promovido em outubro pela ONU Mulheres e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT, tem particular importância por seu alcance – a companhia tem mais de 160 mil colaboradores em todo o mundo. Mas como uma empresa dessa dimensão chegou a essa façanha?

LEIA TAMBÉM:
Negros ganham 42,5% menos e ocupam apenas 30% dos cargos de chefia no país
Em cinco passos, o trabalho da Intel para ampliar a diversidade na empresa
No Brasil, salários ainda têm disparidade por gênero e baixo reajuste, diz pesquisa

Segundo a Schneider Electric, os esforços para acabar com as discrepâncias salariais na empresa ganharam corpo em 2014. Naquele ano, o CEO da companhia uniu-se ao HeForShe, movimento da ONU que incentiva homens e meninos a apoiarem a igualdade de gênero.

Para acompanhar as iniciativas de redução de desigualdades salariais, a empresa passou a produzir relatórios semestrais. Esses documentos mostravam mais claramente as diferenças de remuneração entre profissionais com mesmas responsabilidades e níveis de experiência – e esse retrato mostrava o quadro em todas as filiais do mundo.

Com a criação de metas de igualdade, qualquer analista de mesmo nível, por exemplo, tem que ter salário equiparado, independentemente da área de atuação ou do gênero do funcionário. As exceções acontecem quando há uma diferença no nível de educação, como um empregado que fala mais idiomas ou que cursou pós-graduação ou MBA.

A busca por igualdade passou a integrar o pacote de remuneração da alta liderança. Como explica a Câmara de Comércio França-Brasil, quando a meta de igualdade salarial na empresa não é atingida, o dinheiro para preencher a lacuna é descontado do que a alta chefia ganha.

Além da salarial, a Schneider Electric também persegue a igualdade em outras frentes. Isso inclui aumentar a presença feminina nos 100 cargos mais graduados da empresa. Atualmente, o percentual na América do Sul é de 22,5%. No Brasil, onde a empresa tem 2,9 mil funcionários, a fatia é de 21%.

Segundo a companhia, um dos principais retornos financeiros obtidos com essas mudanças é que elas têm ajudado a reter seus melhores profissionais. Nas filiais da América do Sul, a Schneider Electric atingiu a meta de igualdade salarial em 2018.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta