Bloquear sites na empresa aumenta a produtividade dos funcionários?

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Sob o argumento de evitar a dispersão e, com isso, aumentar a produtividade de seus funcionários, ou de reforçar a segurança digital das redes corporativas, muitas empresas têm como política restringir o acesso a alguns sites no ambiente de trabalho. Mas esse tipo de medida funciona? Alguns estudos recentes mostram que o bloqueio pode ser eficaz em alguns casos, mas essa não é a regra. Há também ocasiões em que a eficiência dos colaboradores acaba até sendo afetada.

Em uma pesquisa publicada neste mês pela plataforma TheBestVPN, 64% dos mil trabalhadores entrevistados relataram que suas empresas usam um firewall para restringir o acesso a alguns sites. Apesar disso, dois em cada cinco funcionários admitem acessá-los de qualquer maneira, geralmente durante o intervalo e às vezes até para realizar uma tarefa relacionada ao trabalho.

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Dos que conseguiram passar pelas restrições do firewall, pouco mais da metade afirmaram ter entrado em sites restritos apenas raramente ou ocasionalmente. E mais: driblar o bloqueio no trabalho é mais comum entre os trabalhadores mais jovens do que os trabalhadores mais velhos.

O estudo constatou que a maioria das organizações que usam essa tecnologia o faz para restringir o acesso a sites que, de fato, não parecem ter relação com o aumento da produtividade dos colaboradores. A lista inclui sites que têm conteúdo pornográfico ou ilegal, de jogos de azar e de namoro, além de endereços sem certificado de segurança.

Mas essas são escolhas mais óbvias. A questão fica um pouco mais controversa quando os firewalls bloqueiam o acesso a redes sociais e jogos (pouco mais de 50% do total, segundo a pesquisa da TheBestVPN), serviços de streaming de vídeo (35%) e música (32%), sites de compartilhamento de arquivos (21%) e de mensagens instantâneas (17%).

Muitas dessas ferramentas, se não fazem parte da atividade principal do colaborador, às vezes ajudam em tarefas paralelas. Nada menos que 18% dos entrevistados disseram que burlam as restrições de segurança para concluir uma tarefa de trabalho.

E a questão ganha ainda mais nuances quando se constata que o que pode parecer um desperdício de tempo é, em vários casos, um modo de aumentar a produtividade a longo prazo. É o caso das plataformas de música, por exemplo. Já há estudos que mostram que ouvir música no trabalho pode melhorar o humor e o desempenho dos profissionais. Outras pesquisas já constataram que os funcionários ficam mais eficientes quando, ocasionalmente, podem fazer atividades on-line que não têm relação com o trabalho.

Se não há unanimidade sobre qual caminho seguir, fica a pergunta: o certo é bloquear ou não bloquear sites no ambiente de trabalho? Ocorre que essa não é uma questão a ser resolvida de maneira maniqueísta. Em alguns casos, a estratégia é válida; em outros, nem tanto. Seja qual for a decisão, ela passa por uma relação transparente e de confiança com os colaboradores.

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