Por que o Goldman Sachs não fará IPOs de empresas sem mulheres na liderança

O Goldman Sachs decidiu não mais atuar na oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de empresas que não tiverem ao menos uma mulher em seus conselhos de administração. O anúncio, feito nesta quinta-feira pelo CEO do grupo, David Solomon, durante a reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, pode ter um impacto de escala global – trata-se, afinal, de um dos maiores conglomerados financeiros do mundo.

“Do ponto de vista da governança, a diversidade nos conselhos de administração é uma questão muito, muito importante”, disse Solomon, segundo registro da rede CNBC. “Nós até podemos perder alguns negócios, mas, no longo prazo, eu acho que essa é a melhor recomendação para as companhias que quiserem trazer bons retornos para seus acionistas ao longo do tempo.”

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Decisões como a do Goldman Sachs costumam ser vistas por críticos com ceticismo e encaradas como mais uma evidência da hipocrisia dos grupos financeiros internacionais. Há hipocrisia nesse tipo de medida? É possível. Mas, mais importante do que tentar decifrar as motivações do banco é reconhecer os impactos que sua medida terá – e como ela é mais um sinal de mudança da mentalidade dos investidores.

O Goldman Sachs constatou que empresas que têm mais diversidade em seus postos de liderança dão mais retorno que suas concorrentes. Entre as companhias que fizeram seus IPOs nos Estados Unidos nos últimos quatro anos, as que tinham ao menos uma mulher em seus conselhos de administração tiveram um desempenho “significativamente melhor” em comparação com as que não possuíam, disse Solomon. (Cerca de 60 empresas que abriram seu capital nos Estados Unidos e na Europa recentemente tinham em seus boards apenas homens brancos, segundo ele.)

É uma medida, portanto, de negócios: empresas mais diversas tomam melhores decisões, o que as faz dar mais retorno para investidores e acionistas. Não é preciso que o Goldman Sachs ou qualquer outro conglomerado financeiro seja “bonzinho” para estimular mais diversidade.

A iniciativa entrará em vigor no dia 1º de julho nos EUA e na Europa. E ela vai ser ampliada paulatinamente: a partir de 2021, a exigência será de dois integrantes nos conselhos de administração que representem diversidade – e não apenas de gênero. No Goldman Sachs, dos 11 integrantes do conselho de administração, quatro são mulheres. Em outro recorte de diversidade, Solomon é, além de CEO, presidente do conselho, mas o diretor principal é Adebayo O. Ogunlesi, nascido na Nigéria.

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