Oscar reafirma peso da indústria do audiovisual para a economia dos EUA

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Neste domingo, a 92ª edição do Oscar mais uma vez esquentou debates sobre merecedores e injustiçados na lista de vencedores, sobre diversidade e representatividade nas indicações e sobre como é controverso criar uma competição para comparar artistas e suas obras. Mas, para além dessas e outras discussões, a cerimônia reafirma o peso da indústria do audiovisual para a economia dos Estados Unidos (e isso poderia servir de norte também para o Brasil).

Somados, cinema e televisão geram 2,6 milhões de empregos no país – e US$ 177 bilhões em salários por ano -, segundo a Motion Picture Association of America (MPAA), entidade que reúne os maiores estúdios de cinema americanos e a Netflix. Nesse universo estão profissionais que vão de técnicos de efeitos especiais a maquiadores, de roteiristas a produtores. Desses postos, 927 mil são empregos diretos.

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A associação atualiza as estatísticas anualmente. Ela utiliza a base de informações do Bureau of Labor Statistics, agência governamental que apura as informações oficiais sobre trabalho no país. Apenas para efeito de comparação, o número de empregos diretos da indústria do audiovisual dos EUA é mais de sete vezes maior que os postos de trabalho da indústria automobilística no Brasil. O setor fechou 2019 com 125 mil vagas no país, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Um mergulho nos dados sobre o que a indústria do audiovisual gera para a economia americana levanta algumas perguntas a um observador brasileiro – e umas delas é por que, no Brasil, ainda se encara investimento em cultura como algo supérfluo, secundário, desperdício de dinheiro. Segundo a MPAA, o setor paga US$ 44 bilhões por ano por produtos e serviços comprados de mais de 250 mil empresas fornecedoras – e 87% delas são de pequeno porte, de acordo com a entidade.

Uma única produção cinematográfica pode injetar até US$ 250 mil por dia na economia de uma cidade escolhida como locação para um filme. “Em alguns casos”, diz a MPAA, “filmes populares e programas de televisão também podem impulsionar o turismo”, o que tende a estender esse círculo virtuoso.

Apenas em 2017, as produções americanas renderam US$ 229 bilhões nas bilheterias, número que, sozinho, se equipara ao produto interno bruto (PIB) de um país como Portugal e é maior que o de outras nações desenvolvidas, como a Nova Zelândia. Além de gerar US$ 29,4 bilhões em impostos, o setor audiovisual rendeu US$ 17,2 bilhões em exportações, com superávit (exportações maiores que as importações) de US$ 10,3 bilhões – ou 4% de todo o superávit na balança comercial do setor de serviços.

O Oscar não deixa de ser também uma celebração dos resultados alcançados por essa indústria. E, com os números em mãos, talvez valha retomar a reflexão sobre vantagens e desvantagens de se investir no desenvolvimento da indústria do audiovisual. No caso dos americanos, a resposta já está clara.

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