Unicórnios naufragam: as lições do fim da Essential, criada pelo pai do Android

Andy Rubin na apresentação do PH-1, único smartphone lançado pela Essential

No universo das startups, tornar-se um unicórnio – empresa avaliada em pelo menos US$ 1 bilhão – é tido como sinônimo de sucesso do empreendimento. Ultrapassada essa barreira, o céu parece ser o limite. E se o unicórnio em questão tiver, além do status de ser uma companhia bilionária, a liderança do criador de uma das ferramentas mais vitoriosas da indústria de tecnologia? Não há chance de fracasso, certo?

Errado. Não há empreendedor à prova de naufrágios, assim como não basta a uma startup se transformar em unicórnio para vingar – e a prova disso é o fechamento da Essential Products, empresa criada por ninguém menos que Andy Rubin, ex-executivo do Google e criador do Android, sistema operacional presente em 2,5 bilhões de smartphones no mundo.

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A Essential foi criada em novembro de 2015 para desenvolver smartphones. Menos de dois anos depois, em agosto de 2017, a empresa já havia conseguido levantar US$ 330 milhões com investidores, em aportes que estimaram seu valor de mercado em US$ 1,2 bilhão – e isso sem que a companhia tivesse produzido um só aparelho celular até aquele momento.

Nesta quarta-feira (12/2), com um texto de apenas cinco parágrafos que foi ao ar em seu site, a Essential anunciou o encerramento de suas operações. Em seus pouco mais de quatro anos de existência, a companhia lançou apenas um smartphone, o PH-1, que foi um fracasso crítico e comercial, registra o site Business Insider. Em paralelo, a companhia descartou os planos de lançar um alto-falante inteligente e um amplo conjunto de acessórios modulares para o telefone.

No ano passado, Rubin revelou a existência do “Projeto Gem”, que criaria um novo smartphone – com formato incomum, similar a uma barra de chocolate – para substituir o PH-1. Em uma admissão adicional de fracasso, o projeto é mencionado na nota de despedida. “Nós levamos o GEM o mais longe possível, mas infelizmente não temos um caminho claro para entregá-lo aos consumidores”, informou a empresa.

Muito da expectativa em torno da Essential tinha relação direta com a figura de Andy Rubin, mas, no comunicado da empresa, ele sequer foi citado. O executivo saiu dos holofotes desde que, em 2018, o jornal The New York Times publicou uma reportagem que dizia que ele deixou o Google com um pacote de saída de US$ 90 milhões, a despeito de uma acusação de assédio sexual feita por uma ex-colega. (Rubin negou as alegações, mas tirou uma licença temporária da Essential depois que elas surgiram.) No ano passado, ele deixou a Playground Global, a empresa de capital de risco que abrigava os escritórios da Essential.

O fim da companhia, afetada tanto por seus erros estratégicos quanto pelas acusações contra seu fundador, reforçam a mensagem aos empreendedores: tornar-se um unicórnio pode ser um grande feito, mas está longe de ser garantia de sucesso.

 

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