Nem magnata argentino deu jeito: há 15 anos, Frigorífico Chapecó quebrou

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Fãs de futebol costumam associar o Frigorífico Chapecó ao patrocínio à Portuguesa (foto) nas temporadas de 1995 e 1996, ano em que a Lusa, com um dos grandes times de sua história, foi vice-campeã brasileira (e esteve muito perto do título, que acabou ficando com o Grêmio). Mas a verdade é que a referência futebolística é apenas um detalhe na vida da empresa, que foi uma das gigantes da agroindústria brasileira. Há 15 anos, essa trajetória chegou ao fim.

Fundado em 1952 em Chapecó (SC), o grupo chegou a ser o quarto maior produtor nacional de frangos, suínos e derivados. Nos anos 90, em seu auge, ela teve 5 mil funcionários, 3 mil produtores integrados, oito unidades industriais e capacidade de abate de 490 mil aves e 5 mil suínos – atividade em que detinha aquele que era considerado o melhor banco genético do país – por dia. Os cortes de frango e congelados eram vendidos para vários estados do Brasil, e no mercado internacional, uma de suas forças, ela chegou a exportar para mais de 50 países.

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Mas, com problemas de gestão e de aumento de sua dívida, a empresa começou a enfrentar dificuldades em meados dos anos 90. As tentativas de reerguê-la contaram com o apoio do BNDES, do Banco do Brasil e do Banco Bozano Simonsen e incluíram a entrada do conglomerado argentino Macri para assumir seu controle. O grupo era comandado pela magnata italiano naturalizado argentino Francisco Macri, empresário falecido em 2019 e que era pai do agora ex-presidente do país, Mauricio Macri.

No fim de 2002, em meio a queixas de que o BNDES teria dado pouco apoio às tentativas de recuperar a companhia, os controladores argentinos desistiram do negócio. Em abril do ano seguinte, à deriva e sem dinheiro em caixa, a empresa interrompeu os pagamentos a fornecedores – por falta de milho para a ração, 7 milhões de frangos morreram -, demitiu 4,6 mil funcionários e interromper suas atividades industriais.

Enquanto se buscava uma solução de mercado, como a venda da marca para o grupo francês Dreyfus, que manifestou interesse em assumi-la, a companhia tentava se blindar contra uma derrocada irreversível. Assim, em janeiro de 2004, ela pediu nova concordata, a segunda em um intervalo de seis anos. Mas, em 29 de abril de 2005, a falência foi decretada.

“Com clareza meridiana, não resta dúvida de que o pedido de concordata é uma farsa. A situação da companhia era de total insolvência. O plano de recuperação buscado é uma falácia, uma vez que não há o que recuperar”, escreveu a juíza da 3ª Vara Cível de Chapecó, Rosane Portella Wolff, baseando-se em uma perícia judicial realizada nas finanças da empresa. Era o fim de um dos grandes nomes do agronegócio brasileiro da segunda metade do século 20.

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