Saiba quais setores mais podem perder com o surto de coronavírus

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O setor aéreo deve ser um dos mais afetados pelo surto global de coronavírus

O surto global de Covid-19, doença causada por um novo coronavírus, tem criado forte preocupação em todo o mundo devido à velocidade com que tem se espalhado e à multiplicação do número de vítimas. Nesta quarta-feira (26/2), já havia mais de 81 mil casos confirmados em mais de 40 países – Brasil entre eles – e 2,7 mil mortos, a maior parte deles na China. O surto é um problema de saúde pública de escala planetária – e, também, uma ameaça para o desempenho de empresas e de toda a economia.

Os cálculos sobre seus impactos sobre a atividade econômica do planeta ainda não são conclusivos. No entanto, como o surto surgiu na China, segunda maior potência global, os economistas acreditam ser improvável que a geração de riqueza no mundo não será afetada. A consultoria britânica Oxford Economics estima que o crescimento global pode ser reduzido em até 1,3% por causa da disseminação da doença. Isso equivale a US$ 1,1 trilhão em perdas no produto interno bruto (PIB) global.

Alguns setores empresariais estão mais expostos aos efeitos negativos da doença, que tem tosse seca, febre e cansaço entre seus sintomas mais comuns, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Conheça a seguir os prognósticos para alguns dos segmentos que podem puxar para cima os prejuízos causados pelo surto:

Setor aéreo

Há certo consenso entre economistas e analistas de que o setor aéreo será um dos mais afetados pela propagação da Covid-19. A Iata, associação global de empresas aéreas, acredita que a demanda global por viagens de avião vai cair 4,7% em 2020 como resultado direto da propagação da doença. A perda de passageiros reduzirá em US$ 29,3 bilhões a receita do setor com a venda de passagens, calcula a entidade.

Se a projeção se confirmar, esta será a primeira retração da indústria em mais de uma década. A queda anterior ocorreu como desdobramento da crise financeira global de 2008-2009.

Indústria automobilística

A Moody’s refez seus cálculos para o desempenho da indústria automobilística no mundo em 2020 – e o quadro é ainda mais negativo do que o da projeção anterior. A agência de classificação de risco acredita que as vendas do setor devem cair 2,5% neste ano principalmente por causa da doença, que deve afetar a demanda e interromper o fluxo da cadeia de suprimentos. A projeção anterior era de retração de 0,9%.

Indústria do luxo

Os consumidores chineses foram responsáveis por cerca de 40% dos € 281 bilhões gastos em produtos de luxo no ano passado, segundo o banco de investimentos Jefferies. A relevância dos chineses para o setor fica ainda mais evidente em um outro dado: eles responderam por 80% do crescimento do segmento em 2019, registra o jornal Financial Times.

Segundo uma pesquisa feita com 30 altos executivos da indústria do luxo, a consultoria Bernstein Research descobriu que eles já esperam impactos de € 30 bilhões a € 40 bilhões sobre as vendas de suas principais linhas, ou uma redução de 9% a 11% em 2020. Grupos como Richemont e Swatch, com mais a dependência de relógios e joias sofisticadas, são os mais expostos, de acordo com o levantamento.

Semicondutores

A receita da indústria de semicondutores é uma das que têm maior exposição ao mercado chinês, segundo cálculos feitos pela FactSet, empresa especializada em dados financeiros. A China responde por 28% das vendas do setor, de acordo com um relatório da companhia americana.

Tecnologia

No início de fevereiro, algumas das mais importantes companhias de tecnologia do mundo anunciaram o fechamento temporário de todos os seus escritórios corporativos, fábricas e lojas de varejo na China. Fazem parte da lista empresas como Apple, Samsung, Microsoft, Tesla e Google (que também fechou suas operações em Hong Kong e Taiwan). Nesta segunda-feira, o receio dos investidores com o impacto que o coronavírus terá sobre a economia global fez com que Apple, Facebook, Google, Microsoft e Amazon perdessem US$ 238 bilhões em valor de mercado.

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