Do avanço à retração: a visão da McKinsey sobre o mundo pós-coronavírus

Coronavírus

Em todo o mundo, economistas, empresários, analistas e lideranças políticas têm tentado nas últimas semanas decifrar uma enorme incógnita: que impactos o coronavírus terá sobre a economia global. Já há 110 mil casos confirmados de Covid-19, infecção respiratória causada pelo novo vírus, e mais de 3,8 mil mortes registradas desde o início do surto.

Nesta segunda-feira (9/3), a consultoria McKinsey apresentou não um, mas três cenários que seus analistas veem no momento para a economia mundial. As projeções foram feitas com base em diferentes hipóteses para o ritmo de transmissão do vírus. Abaixo, as projeções:

Cenário 1: Rápida recuperação

No primeiro cenário, os casos continuam crescendo, mas a taxa de fatalidade é baixa, semelhante à de uma gripe comum. Apesar da forte reação pública e da queda da demanda por produtos e serviços, os países conseguem controlar a doença com rapidez – este cenário pressupõe que o vírus é sazonal. Além disso, com reduzida taxa de mortalidade em crianças e adultos em idade ativa, a preocupação começa a cair, mesmo com a doença se espalhando.

Em cálculos feitos em parceria com a Oxford Economics, a projeção neste cenário é de crescimento do PIB global de 2%, em vez dos 2,5% inicialmente previstos. A revisão para baixo deve-se principalmente à desaceleração da China, que passaria a crescer 4,6%, e não mais os quase 6% que se projetava. Para o PIB do leste asiático, a previsão é de queda de 0,5 ponto percentual, enquanto as outras grandes economias do mundo devem crescer 0,3 a 0,5 ponto percentual menos. Nesta hipótese, a economia americana se recupera até o fim do primeiro trimestre, momento em que a China retoma a maior parte de sua produção industrial. Em contrapartida, a confiança do consumidor não se recupera completamente até o fim do segundo trimestre.

Cenário 2: Desaceleração global

O segundo cenário pressupõe que a maioria dos países não conseguirá controlar a doença com a rapidez dos chineses. Na Europa e nos EUA, a transmissão é alta, mas permanece concentrada, graças aos esforços de empresas e governos (incluindo fechamento de escolas e cancelamento de eventos públicos). Este cenário prevê mudanças maiores no comportamento diário das pessoas, e o choque de demanda reduz o crescimento do PIB global de 2020 para algo entre 1% e 1,5%.

Neste cenário, a desaceleração global afetaria mais as pequenas e médias empresas e economias menos desenvolvidas, mas os setores não seriam afetados de maneira uniforme. Serviços como aviação, viagens e turismo seriam os mais atingidos – o que como já se observa na queda acentuada nas reservas para viagens internacionais que representam maior lucro para as companhias aéreas (especialmente destinos da região da Ásia-Pacífico). Em bens de consumo, o forte declínio da demanda dos consumidores, que só começaria a se recuperar entre maio e junho, à medida que a preocupação com o vírus diminui. Para os demais setores, o impacto seria em função da queda do PIB nacional e global. Petróleo e gás, por exemplo, seriam afetados negativamente, já que os preços do petróleo permaneceriam abaixo do esperado até o terceiro trimestre.

Cenário 3: Pandemia e recessão

No terceiro e último cenário, o cenário é similar ao anterior, com a diferença de que, neste, o vírus não seria sazonal (não afetado pela chegada da primavera ao hemisfério norte). O crescimento de casos continuaria no segundo e terceiro trimestres, sobrecarregando os sistemas de saúde em todo o mundo. Nesta hipótese, haveria recessão, com o PIB global em 2020 encolhendo entre 0,5% e 1,5%.

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