Coronavírus enfrenta uma união impensável em outros tempos: a da indústria do luxo

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Ao lado do setor aéreo e do turismo, a indústria do luxo é amplamente tida como uma das mais afetadas pela crise global desencadeada pela Covid-19, infecção respiratória causada pelo novo coronavírus. Pois, neste momento, essa indústria é uma das mais engajadas no combate à pandemia e seus efeitos sobre a saúde pública e os negócios.

As iniciativas das empresas do setor são diferentes entre si, incluindo doações em dinheiro e equipamentos e até cessão de fábricas para a produção de material preventivo. No último domingo (15/3), o grupo francês LVMH, líder mundial da indústria do luxo, anunciou que vai produzir álcool gel em suas fábricas de perfume. O material será doado às autoridades francesas, em uma ação que será mantida “o tempo que for necessário”, segundo o grupo explicou em um comunicado.

Dono de marcas como Louis Vuitton, Dior e Guerlain, o grupo francês foi um dos mais recentes do setor a se engajar no combate ao coronavírus, mas iniciativas do gênero têm sido registradas desde o início do ano. No fim de janeiro, quando a propagação do vírus se acelerou, LVMH, Kering (sua concorrente, dona de grifes como Balenciaga e Yves Saint Laurent) e as marcas Versace e Estée Lauder já haviam feito as primeiras doações para a China, onde a pandemia surgiu, no fim de 2019.

Multiplicação de iniciativas

Desde então, os anúncios vêm se multiplicando, principalmente na Itália, um dos países mais atingidos pelo vírus. Na manhã desta segunda-feira (16/3), o presidente da Prada anunciou que sua empresa iria doar duas unidades completas de tratamento intensivo e de reanimação aos hospitais Vittore Buzzi, Sacco e San Raffaele, em Milão.  Na semana passada, o grupo Kering também doou € 2 milhões para a Itália, onde tem forte presença com as marcas Gucci, Bottega Veneta, Pomellato e Brioni.

Ainda entre os italianos, o grupo Edizione, dono da Benetton, deu € 3 milhões para hospitais em Treviso (berço da marca), Milão e Roma. O estilista Giorgio Armani também enviou para os hospitais do país um cheque de € 1,25 milhão, enquanto Dolce & Gabbana e Bulgari fizeram doações em dinheiro para pesquisadores que buscam um tratamento para o COVID-19.

As doações dos grandes nomes do luxo seguem a mesma mobilização vista após os incêndios florestais na Austrália ou a destruição parcial pelo fogo da catedral de Notre Dame, em Paris. Mas, desta vez, os gigantes dessa indústria são diretamente atingidos.

Para além da dimensão humana da pandemia, com milhares de mortes pelo mundo, o impacto econômico do coronavírus foi quase imediato para as marcas de moda e luxo, que concentram suas fábricas e ateliês na China e na Itália. Muitas dessas fábricas pararam por causa das medidas de confinamento, que também exigiram o fechamento temporário de lojas – algo raro em uma indústria extremamente dependente do turismo.

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