Coronavírus: o que a quarentena na Itália ensinou a uma executiva de turismo

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Como lidar como a crise nos negócios causada pela disseminação do coronavírus? Dos mais experientes executivos do planeta a empreendedores novatos, que dão seus primeiros passos com suas startups, todos os líderes do universo empresarial estão no momento com a mesma dúvida. E, assim como estão unidos pela incerteza, todos também estão no mesmo barco na falta de referência sobre como guiar suas empresas durante a pandemia.

Lesley Pritkin, presidente da Divertimento Group

“No contexto do coronavírus, não há pontos de referência nem ‘especialistas’ para consultar. Entre pesquisadores experientes, profissionais de saúde e de gerenciamento de crises, a maioria teve a humildade de admitir que sua abordagem tem se baseado em tentativa e erro. Assim, você também pode admitir isso. Não precisa fingir que você sabe quais serão seus próximos passos.”

As palavras são da executiva Lesley Pritikin, fundadora e presidente da Divertimento Group, agência de marketing de destino especializada em Itália. Como o país é um dos mais afetados pelo coronavírus e a indústria do turismo, uma das mais prejudicadas nesta crise, as reflexões da executiva foram feitas a partir de um ponto de vista que, na pandemia, quase não tem paralelo no mundo. Até esta terça-feira (17/3), havia quase 180 mil casos confirmados de Covid-19 no mundo (28 mil na Itália), com 7,5 mil mortes registradas (um terço delas em solo italiano).

Radicada em Roma há quase 30 anos, a americana escreveu seu depoimento no momento em que a cidade chegava a seu quarto dia de bloqueio total, com pessoas em quarentena em casa para tentar conter a disseminação do vírus. Seu artigo foi publicado pelo site Skift, especializado na indústria do turismo e lazer. A seguir, as quatro sugestões dadas pela executiva:

1. É hora de ser autêntico

“Tire seu chapéu de CEO, diretor de operações ou presidente de conselho e seja você mesmo. Esse será um ‘eu’ diferente e vulnerável, que não tem a confiança que o guiou no passado”, diz ela.

2. Desconfie de tutoriais cheios de certezas sobre como enfrentar a crise

“Não leve muito a sério os artigos na linha ‘como fazer negócios durante a crise'”, sugere a executiva. Ela diz que esses textos são escritos por autores bem-intencionados que tiveram sucesso na gestão de crises no passado, mas nada se compara ao que está ocorrendo agora. “No período inicial da crise, você não vai ficar pensando na formação de uma força-tarefa para enfrentar o desafio ou nos planos de comunicação com os públicos interno e externo, e sim em garantir sua segurança e a das pessoas que você ama – especialmente de seus pais, caso você tenha a sorte de ainda tê-los por perto.”

3. Não tente agir como se nada tivesse mudado

Lesley Pritikin acredita ser importante lutar contra o desejo de adotar uma postura business-as-usual, na qual se tenta manter ao máximo a rotina de antes da pandemia. “Todo mundo sabe que não há nada ‘usual’ no fato de um dos setores mais vitais e promissores do planeta, como o nosso (turismo), ter simplesmente parado em um intervalo de poucos dias.”

4. Retome as atividades só quando for de fato hora

No início de uma paralisação completa como a vivida hoje em Roma, que exige toda a população em quarentena, é preciso conter o impulso de começar a enviar e-mails assim que se tranca a porta de casa, escreve a executiva. “Só quando você estiver pronto”, ela diz, “atenda o telefone ou tente fazer um bate-papo por vídeo com seus funcionários, colaboradores, parceiros comerciais e clientes fiéis (se isso for apropriado).”

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