Yuval Harari: por que o coronavírus não é um argumento antiglobalização

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A Covid-19, infecção respiratória causada pelo novo coronavírus, fez surgir uma crise de escala planetária, mas isso não pode servir como um argumento contra a globalização – e quem diz isso é um dos pensadores mais importantes do mundo na atualidade. Em artigos e entrevistas veiculados nas últimas semanas, o filósofo e escritor israelense Yuval Harari, autor dos best-sellers Sapiens: Uma breve história da humanidade e Homo Deus: Uma hreve história do amanhã, tem sustentado que a crise do coronavírus deve ser usada para unir os países, e não distanciá-los.

Culpar a globalização pela pandemia é um erro, afirma ele, professor do Departamento de História da Universidade Hebraica de Jerusalém. “Dizem que a única maneira de se prevenir contra epidemias é ‘desglobalizar’ o mundo, construindo muros, restringindo viagens, reduzindo o comércio. No entanto, enquanto quarentenas são importantes para conter as epidemias no curto prazo, o isolamento no longo prazo nos levará a um colapso econômico, sem oferecer nenhum tipo de proteção real contra doenças.” Os argumentos aparecem em um artigo publicado na revista Time. “O verdadeiro antídoto para epidemias não é a segregação, é a cooperação.”

Harari sustenta que a incidência e o impacto de epidemias nos últimos séculos caiu drasticamente. “Apesar dos casos horrendos como os da Aids e do ebola, as epidemias do século 21 mataram muito menos humanos quando comparadas proporcionalmente com a Idade da Pedra”, afirma.

O que fez grande diferença nesse cenário? A informação. “Enquanto pessoas na Idade Média nunca descobriram a causa da chamada peste negra, demorou duas semanas para que cientistas identificassem o novo coronavírus, fizessem sequenciamento de seu genoma e desenvolvessem um teste confiável para identificar novos contaminados”, diz o filósofo. “A melhor defesa para os seres humanos contra as doenças não é o isolamento, é a informação.”

Compartilhar conhecimento é também uma forma de proteção

Para Harari, o principal aprendizado da pandemia é sobre fronteiras. “A história mostra que a verdadeira proteção vem do compartilhamento de conhecimento científico em que se pode confiar e da solidariedade global. Quando um país enfrenta uma epidemia, ele não deve ter medo de dividir tudo o que sabe sobre ela por questões econômicas.”

Outro ponto relevante para o escritor é que a humanidade enfrenta uma crise de confiança. “Na luta contra o coronavírus, a humanidade carece de lideranças”, diz. Para vencer uma epidemia, as pessoas precisam confiar em experimentos científicos e nas autoridades, enquanto os países precisam ter confiança mútua entre eles. “Nos últimos anos, políticos irresponsáveis deliberadamente fizeram pouco da ciência. Como resultado, agora estamos enfrentando uma crise e não temos líderes globais capazes de nos inspirar e de organizar uma resposta global à altura do problema.”

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