Trabalhar em casa também causa esgotamento; saiba como evitar

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As medidas de isolamento social, adotadas para conter a disseminação do novo coronavírus, levaram milhões de pessoas a trabalhar em casa em todo o mundo. A adoção repentina do chamado home office mostrou a profissionais que não estavam habituados com esse regime que trabalhar em casa pode ser tão estafante quanto na empresa.

Em artigo para a Harvard Business Review, as pesquisadoras Laura Giurge e Vanessa Bohns afirmam que a estafa do trabalho remoto deve-se, em parte, à pressão que muitos profissionais impõem sobre si mesmos para tentar manter a produtividade longe da chefia. Assim, mesmo que esteja no conforto de seu lar, a pessoa acaba estendendo sua jornada, o que aumenta seus níveis de estresse.

As autoras apresentam três sugestões para manter o equilíbrio mental durante o período de home office a ser cumprido na pandemia:

1. Mantenha limites entre a sua vida pessoal e profissional

A mente humana utiliza diversos marcadores para determinar quando se está “trabalhando” e quando se está “em descanso”, explicam as pesquisadoras. Normalmente, eles têm relação com o ritual de trabalho. Para citar dois exemplos, o deslocamento de sua casa ao local de trabalho e a roupa que você usa são dois marcadores.

Ao trabalhar de casa, esses marcadores são perdidos, misturando o que é pessoal e o que é profissional. Por isso, a sugestão é que se mantenha essa separação no home office. Mesmo permanecendo em casa, é importante que a pessoa continue se vestindo como se estivesse indo para o trabalho normalmente. Também vale a pena encontrar alguma rotina que substitua o deslocamento diário. Uma leve atividade física pode ser uma alternativa.

2. Defina com clareza a organização de seu tempo

Ficar em casa pode criar tarefas e responsabilidades que não existiam antes das medidas de isolamento social adotadas na pandemia. Isso vale em especial para quem tem filhos pequenos. Com escolas e creches fechadas por causa do coronavírus, as crianças também têm que ficar em casa.

As autoras acreditam que o melhor a ser feito é ter uma separação clara entre trabalho e vida em casa. Elas sugerem, por exemplo, que se crie um cronograma mais flexível de trabalho; isso vai permitir a dedicação de algumas horas do dia para cuidar dos filhos ou ajudar nos afazeres domésticos. Nessa frente, escrevem elas, é importante que os líderes de equipe abram um canal de comunicação com seus subordinados para que todos tenham tempo para cuidar da família e da casa durante a crise.

3. Foque no que importa

O home office não é hora de se preocupar com assuntos triviais. Segundo as pesquisadoras, a preocupação com manter a aparência de que se está trabalhando faz com que funcionários se preocupem com tarefas que demandam muito, mas podem importar pouco.

Focar em tarefas menores pode ser uma estratégia útil para o curto prazo, mas ela acaba tendo efeitos negativos no longo prazo e alimentando o esgotamento físico e mental que caracterizam a chamada síndrome de burnout. Assim, o melhor a se fazer é focar em tarefas maiores e mais importantes.

“Trabalhadores que estão ‘ligados’ o tempo todo têm um risco maior de burnout quando trabalham em casa do que no escritório”, escrevem as pesquisadoras. “Precisamos encontrar novas maneiras – e ajudar outros a fazerem o mesmo – para criar tempo longe do trabalho e descanso mental.”

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