Um líder não é menos confiável quando admite não saber tudo, diz pesquisa

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Em um cenário em que a pandemia criada pelo coronavírus trouxe enorme incerteza à humanidade, um trabalho que acaba de ser publicado por pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, serve como alento e também como guia para os líderes empresariais: não há problema em admitir que não se sabe tudo o tempo todo. A pesquisa atestou que a confiança nos líderes não é abalada quando eles reconhecem suas dúvidas.

O trabalho foi produzido pelo Winton Centre, um centro de pesquisas ligado ao Departamento de Matemática Pura da renomada universidade britânica. Há quem acredite que demonstrar incerteza é algo negativo, mas a constatação dos autores foi na direção oposta desse senso comum, chamado por psicólogos de “aversão à ambiguidade”.

Para levantar as informações, primeiro, um grupo de voluntários leu textos com níveis variados de incerteza sobre temas variados, como o número de pessoas desempregadas no Reino Unido, o número de tigres que ainda estão vivos na Índia e o aumento da temperatura média do planeta entre 1880 e 2010. Em seguida, essas pessoas responderam questionários sobre o nível de confiança que tiveram nos dados e também nos autores. O experimento foi replicado no site da BBC News, que publicou várias versões de uma notícia do mercado de trabalho no Reino Unido. Os leitores foram ouvidos após a leitura para que explicassem suas respostas.

Em todos os casos, a pesquisa mostrou que as pessoas identificam a incerteza em uma informação, mas isso não reduz a confiança nos números ou na fonte que os divulga. Houve uma leve queda no nível de confiança quando a incerteza foi detectada, mas, segundo os autores, ela foi tão pequena que acabou sendo estatisticamente irrelevante.

A pesquisa também mostrou que as pessoas não respondem tão bem quando se apela a expressões vagas para revelar um dado, como “cerca de” ou “aproximadamente”. A confiança é maior, segundo os autores, quando há números envolvidos nas informações apresentadas, ainda que eles não sejam muito precisos. Um exemplo prático dessa abordagem foi visto quando o governo americano previu que o novo coronavírus poderia matar entre 100 mil e 240 mil pessoas no país.

“Essa constatação pode ajudar acadêmicos e comunicadores da ciência a serem mais transparentes sobre os limites do conhecimento humano”, escrevem os autores da pesquisa. Isso vale também para líderes empresariais.

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