Cinco ideias para preparar sua empresa para o mundo pós-coronavírus

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O coronavírus criou uma crise humanitária e de saúde pública de escala planetária (até esta terça-feira, 14/4, a covid-19, infecção respiratória causada pelo vírus, já havia matado mais de 125 mil pessoas no mundo) e também um desafio sem precedentes para os líderes empresariais. O colapso da demanda, as transformações regulatórias, as interrupções na cadeia de suprimentos, o desemprego, a recessão econômica e os níveis de incerteza não só ocorrem de maneira simultânea como em escalas jamais vistas – e é com isso que executivos de todo o mundo precisam lidar no momento, e sem que tenham referências do passado para guiá-los.

Mas é justamente o fato de a crise atual não ter precedentes que ela exige que as empresas tentem ao máximo criar graus de previsibilidade para suas ações durante e depois da pandemia . Não se pode ficar à deriva em meio a uma tempestade dessa magnitude.

Em um artigo para a Harvard Business Review, Carsten Lund Pedersen e Thomas Ritter, professores da Copenhagen Business School, na Dinamarca, sugerem que, na fase de retomada após a crise atual, os executivos sigam cinco passos para definir os destinos das corporações que comandam. A lógica segue a estrutura dos 5 Ps, conceito de estratégia organizacional criado pelo canadense Henry Mintzberg, renomado teorias definiu estrategicamente a estratégia.

Segundo Mintzberg, uma estratégia empresarial pode ser estabelecida a partir de cinco perspectivas: ela pode ser orientada por um plano, um projeto (ou “pretexto”), um padrão (ou “preparo”), uma posição ou uma perspectiva. Lidos assim, isoladamente, os termos soam vagos, mas a abordagem proposta por Pedersen e Ritter os coloca em situações do dia a dia das companhias, o que facilita não só sua compreensão, mas também sua adoção na prática. A seguir, as cinco perguntas feitas por eles para orientar os líderes empresariais:

1. Posição: até onde você pode chegar durante e após a pandemia?

Para tomar decisões estratégicas inteligentes, você precisa entender a posição da sua organização em seu ambiente. Quem é você no seu mercado, qual o papel que desempenha no seu ecossistema e quem são seus principais concorrentes? Também é preciso entender para onde se está indo, dizem os autores. Você pode fechar suas operações e reabrir sem maiores prejuízos após a pandemia? Pode recuperar o terreno perdido? Você pode quebrar ou, ao contrário, emergir como um líder de mercado alimentado por avanços alcançados durante o período de isolamento social?

Há empresas questionando sua viabilidade pós-pandemia, em particular nas indústrias de viagens, hotelaria e eventos, assim como há as que têm acelerado seu crescimento porque a demanda por seus produtos e serviços disparou – caso de fabricantes de material de escritório para uso em casa, ferramentas de comunicação online e serviços de entrega em domicílio. “Diante desses fatores, as empresas se diferem em sua resiliência. Você precisa tomar medidas agora para mapear sua posição provável quando a pandemia diminuir”, escrevem os professores.

2. Plano: qual é o seu para se recuperar?

Um plano requer ações que indiquem o caminho em direção ao ponto que você quer alcançar. Ele exige medidas hoje para que você atinja seus objetivos amanhã. No contexto atual, o plano passa por decidir o que fazer para superar a crise e voltar aos negócios quando ela terminar.

A falta de um plano só agrava a desorientação em uma situação já confusa. Ao elaborar as etapas que você pretende seguir, pense de maneira ampla e profunda e não deixe de colocar a visão de longo prazo nesse raciocínio.

3. Perspectiva: de que maneira sua cultura e identidade mudarão?

Perspectiva significa a maneira como uma organização vê o mundo e a si mesma. É muito provável que sua cultura e identidade mudarão por causa da pandemia. Uma crise pode unir as pessoas e estimular um espírito coletivo de resistência, mas também pode separar as pessoas, com indivíduos desconfiando uns dos outros e cuidando só de si mesmos.

“É crucial entender como sua perspectiva pode evoluir”, dizem os autores. Como sua organização estava culturalmente preparada para lidar com a crise? A situação atual unirá seus funcionários ou os afastará? Eles verão a organização de maneira diferente quando isso acabar? Suas respostas informarão o que você pode alcançar quando a pandemia terminar.

4. Projetos: quais novos projetos você precisa lançar, executar e coordenar?

As respostas às perguntas anteriores, explicam Pedersen e Ritter, devem indicar um conjunto de projetos para resolver seus problemas relacionados ao coronavírus. “O desafio é priorizar e coordenar iniciativas que irão proteger a organização no futuro”, escrevem. Eles sugerem cuidado ao iniciar vários projetos que dependem dos mesmos conjuntos de profissionais – alguns poucos gestores mais graduados ou o departamento de TI, por exemplo. Com muitas novas iniciativas surgindo ao mesmo tempo, você pode acabar criando uma disputa por recursos que atrasaria ou inviabilizaria sua resposta estratégica.

5. Preparo: qual seu nível de preparo para executar seus planos e projetos?

Por fim, os líderes empresariais precisam avaliar o nível de preparo de sua organização. Você está pronto e é capaz de realizar os projetos descritos, principalmente se grande parte da sua organização mudou para o trabalho remoto? Vemos grandes diferenças de preparação nos níveis individual, de equipe, organização e nacional. Os recursos disponíveis, juntamente com a rapidez e a qualidade dos processos de tomada de decisão, variam muito, e as diferenças determinarão quem terá sucesso e quem verá suas ideias ficarem pelo caminho.

A análise dos conceitos acima ajudará os líderes empresariais a planejar seus movimentos atuais e futuros. “Esteja ciente de que os consumidores se lembrarão de como você reagiu durante a crise. Aumentar os preços durante uma escassez, por exemplo, pode ter um efeito significativo no relacionamento com os clientes no futuro”, escrevem os professores. “O coronavírus teve impactos sem precedentes no mundo – e o pior ainda está por vir. As empresas devem agir hoje se quiserem se recuperar no futuro.”

Clique aqui e leia no Vida de Empresa histórias sobre como as companhias estão enfrentando o coronavírus.

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