Artigo: Como o país mais feliz do mundo está enfrentando a pandemia

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Por Juhani Pajunen*, especial para o Vida de Empresa

Na Finlândia, ao contrário do que ocorre em boa parte dos países europeus, não há uma quarentena oficial, o que significa que as pessoas podem se locomover quase como quiserem. Os restaurantes estão, sim, fechados pela lei, mas, afora isso, o governo dá algumas recomendações e o povo obedece. Na prática, a situação é igual à dos países que restrições obrigatórias: quase todo mundo trabalha em home office, as ruas estão vazias e mantemos o distanciamento social.

Uma curiosidade é o almoço escolar. Na Finlândia, todas as escolas oferecem um almoço gratuito aos alunos – e não se trata apenas de um lanche, mas de uma completa (e saudável) refeição. Já que os alunos estão em casa, as escolas oferecem para as crianças almoços entregues em domicílio.

As empresas estão vivendo um período duro. O setor de saúde sofreu o maior golpe, é claro, mas a peculiaridade finlandesa é que a economia se baseia, em alto grau, em exportações de bens de investimento, que são muito expostos ao ciclo econômico. Nesse quesito, o país é bastante diferente da Suécia e dos demais nórdicos.

A boa notícia é que, em geral, as empresas estão em boa forma. Também o setor bancário é forte. Ao contrário dos muitos países europeus, na Finlândia, o governo, pelo menos até agora, não tem dado muitos subsídios às empresas. O governo não está pagando os salários dos funcionários desligados temporariamente, por exemplo. Aqui, as medidas do governo têm sido mais suaves: ele oferece avais de empréstimos bancários às empresas ou uma possibilidade de atrasar o pagamento dos impostos e da seguridade social.

Há também alguns subsídios, mas podem ser usados apenas para inovar novas medidas para sair da crise; em outras palavras, eles não podem ser usados para pagar custos atuais. Ultimamente, muitos empresários têm reclamado que essas medidas não são suficientes. Um apoio importante é que agora até os empresários têm o direito de receber o subsídio de desemprego, embora a empresa ainda esteja funcionando.

Todos temos problemas

Mesmo que sejamos o país mais feliz do mundo, não estamos livres do “jeitinho”. Em um caso recente e de grande repercussão, o governo quis comprar máscaras respiratórias, e, por causa da pressa, não verificou o histórico dos fornecedores. Quando as máscaras chegaram, notou-se sua baixa qualidade e que elas não podiam ser usadas.

Os improvisos nesse episódio incluíram ainda um imbróglio envolvendo uma estrela de reality show e um empresário que alega ter sido ameaçado pelos Hells Angels. Dona de uma clínica de cirurgia plástica na Estônia, Tiina Jylhä, a estrela da TV, afirma ter fechado um contrato de € 5 milhões para conseguir as máscaras na China. Mas, segundo ela, no último minuto, os recursos teriam sido redirecionados para uma conta bancária do empresário finlandês Onni Sarmaste na Bélgica.

Sarmaste afirma, por sua vez, que o contrato na verdade era dele e que teria feito contato com a clínica apenas para ela ser fornecedora – e que, além disso, Tiina Jylhä e seu marido teriam enviado o grupo de motoqueiros para ameaçá-lo. O diretor da agência governamental responsável pela compra das máscaras demitiu-se, e agora a polícia está investigando o caso.

Como se vê, a pandemia não livrou de contratempos de gestão nem o país mais feliz do mundo.

*JUHANI PAJUNEN é um empreendedor com 20 anos de experiência em relações públicas. Trabalhou com a agência nacional de notícias finlandesa e como CEO de uma das maiores agências de relações públicas da Finlândia. Atualmente está na Source Creative, agência líder focada em relações públicas governamentais

Clique aqui e leia no Vida de Empresa histórias sobre como as companhias estão enfrentando o coronavírus.

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