Cervejaria alemã de 400 anos superou duas guerras mundiais, mas não a covid-19

Leia também

Uma cervejaria alemã fundada há mais de 400 anos, que sobreviveu a duas guerras mundiais e inúmeras crises econômicas, não conseguiu superar o coronavírus. A Wernecker, da Baviera, no sul do país, anunciou que encerrará suas operações no dia 30 de setembro por causa da pandemia da covid-19. Com a decisão, ficarão sem emprego seus 15 funcionários que trabalham em tempo integral e também os colaboradores de meio-período.

A trajetória da pequena cervejaria começou em 1617, e desde 1861 ela estava nas mãos da mesma família. Christine Lang, que administra a empresa e integra a família proprietária, diz que o fim das operações foi decidido com “muitas lágrimas“. “A cervejaria sempre esteve presente, fez parte das conversas à mesa do jantar durante toda a nossa vida. Vamos perder parte de nossa identidade – e, de certa forma, toda a região também.”

Na Alemanha, o temor é que o episódio seja um marco de quebras em série de pequenos produtores da bebida-símbolo do país. No mercado alemão predominam marcas de consumo regional, como a Werneck, que vendem quase toda a sua produção para bares e restaurantes de cidades próximas. Com as medidas de isolamento social impostas pelas pandemia, não se sabe quando as atividades serão retomadas – e, assim, as cervejarias de pequeno porte, com poder de fogo limitado, podem não sobreviver.

Segundo uma pesquisa da associação nacional da indústria cervejeira, 87% das fabricantes reduziram as jornadas de seus funcionários. A medida foi adotada para aproveitar um programa do governo em que o Estado se compromete a bancar 60% dos salários dos trabalhadores de empresas do setor privado afetadas pela pandemia.

“Muitas fabricantes vendem de 80 a 90% da cerveja que produzem a restaurantes, que estão fechados há semanas e não têm previsão de reabertura”, disse Holger Eichele, secretário-geral da Associação Alemã de Cervejeiros. “Não sabemos quando os restaurantes e bares poderão reabrir. Receio que, na pior das hipóteses, possa ser julho ou agosto. E não sobreviveremos até lá.”

Clique aqui e leia no Vida de Empresa histórias sobre como as companhias estão enfrentando o coronavírus.

- Publicidade -

Outras notícias

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Publicidade -

Mais recentes

#NãoVolte: CEOs defendem que mundo não volte a ser como antes da pandemia

Um grupo de quase 50 líderes empresariais brasileiros, entre os quais estão mais de 30 CEOs, aderiu a uma campanha internacional que defende que...

O que coloca São Paulo entre os 100 maiores polos científicos do mundo

São Paulo está entre os 100 principais polos de produção científica do mundo, segundo um novo ranking, publicado neste início de setembro. A lista é um...

Filantropia aumenta a desigualdade em vez de reduzi-la, diz novo livro

A filantropia nunca foi tão intensa no mundo quanto nos dias de hoje, mas, em vez de ajudar a reduzir a distância de renda...

Carlos Brito, da AB InBev: os três pilares da liderança corporativa

Após mais de uma década, Carlos Brito pode estar perto de encerrar sua trajetória como principal executivo da Anheuser-Busch InBev. O Financial Times informou nesta...

As diferenças entre o boom de IPOs de 2020 e o de 2007

Se o ritmo atual se mantiver, o mercado de capitais brasileiro deve registrar um volume recorde de lançamentos de novas ações na B3. Nesta...